08/04/2013 06:58 - Estado de Minas

Uberaba – Solução adotada por grandes cidades para tentar
melhorar a mobilidade na Copa, o transporte rápido por ônibus (BRT, na sigla de
inglês) também é aposta da Prefeitura de Uberaba, no Triângulo Mineiro, para
resolver problemas de trânsito na área central do município. A oitava maior
cidade de Minas prepara a implantação de cinco faixas exclusivas para ônibus,
em projeto semelhante ao da Avenida Pedro II, em Belo Horizonte, e pretende ser
a primeira do estado em contar com o sistema. Problemas na liberação de
recursos e execução de dois terminais, porém, comprometeram o cronograma. O
prazo de entrega das obras já foi adiado duas vezes: previsto para dezembro de
2012 e depois para fevereiro deste ano, o BRT Leste-Oeste agora tem promessa de
início de operação para julho.
A meta em Uberaba é que o BRT atraia motoristas para o
sistema de transporte coletivo. Os ônibus serão maiores, mais espaçosos, com
estações climatizadas e no mesmo nível de embarque. A promessa é de que os
intervalos de viagens sejam entre três e cinco minutos – atualmente são, de
cinco minutos a 80 minutos, no caso linhas para a zona rural. Embora terra,
lama e mato ainda tomem conta das áreas dos futuros terminais, em lados opostos
da Avenida Leopoldino de Oliveira, a prefeitura diz ser possível concluir a
primeira fase da obra em 80 dias. O projeto foi iniciado em setembro do ano
passado, na gestão do ex-prefeito Anderson Adauto (sem partido) – o atual
prefeito é Paulo Piau (PMDB). Até o momento, somente as estações tubo,
iniciativa idêntica à do BRT de Curitiba (PR), foram instaladas no canteiro
central da avenida.
Na avaliação da prefeitura, que reconhece atrasos, as obras
pendentes são simples de ser concluídas. Segundo o secretário de infraestrutura
do município, José Donizete de Melo, a construção dos terminais exigiria apenas
o término da montagem dos pré-moldados que darão forma à estrutura. O passo
seguinte seria a instalação de faixas de separação dos BRTs na pista,
eliminando pontos de conversão à esquerda, e a instalação de sensores nos
semáforos, capazes de agilizar a abertura e o fechamento para a passagem dos
ônibus.
Testes
"Enfrentamos imprevistos técnicos como muita chuva, remoção
de rede elétrica, um caso de desapropriação numa das alças de acesso do
Terminal Leste, além da drenagem da Leopoldino de Oliveira. Alguns módulos
(estações tubo) tiveram problema de liberação de recursos, mas as obras já
foram retomadas e pretendemos concluir tudo num prazo de 80 dias
corridos", afirma o secretário. Ele insistiu que há tempo suficiente para
sanar todas as pendências do primeiro corredor até julho. "Assim que o BRT
estiver pronto e em operação, vamos sentir tudo e fazer os ajustes necessários.
Com o primeiro corredor, teremos a expertise para fazer o segundo e o
terceiro”, acrescenta.
Segundo Claudinei Nunes, superintendente de planejamento de
trânsito e transporte de Uberaba, uma das metas do BRT é eliminar 60% dos 103
ônibus convencionais que hoje circulam no Centro da cidade. Após a conclusão
das obras, Nunes afirma que será feita uma fase de testes de cerca de 10 dias,
que simulará a operação das linhas. "Com o BRT, o passageiro poderá fazer até
três integrações numa sequência de destinos num intervalo de até uma hora e
meia”, calcula. Diante da possibilidade de aumento de custos, o superintendente
descarta aumento da tarifa. "Pelo que estamos sentindo, vamos atender uma
demanda reprimida, aumentando o número de passageiros. A tendência é a tarifa
ficar mais barata”, prevê.
Um problema ainda sem solução é a travessia dos passageiros
entre as estações de embarque e os ônibus. A reportagem do EM constatou que,
com os veículos alinhados à calçada das estações, haverá um vão de no mínimo 30
centímetros. Os 14 ônibus da frota inicial não virão equipados com plataformas
elevatórias para auxiliar a travessia. Uma alternativa, aponta uma das empresas
operadoras, é adaptar os coletivos.
Ônibus
nas garagens
As duas empresas de ônibus de Uberaba cumpriram o prazo
inicial de conclusão do sistema e entregaram 14 ônibus do tipo padron – com
motor traseiro e capacidade para 100 pessoas –, em dezembro do ano passado. Mas
a construção do terminal oeste, de responsabilidade de ambas, continua
pendente. Ainda é necessário fazer terraplanagem no local, que servirá de
passagem para milhares de passageiros. No terminal leste, as primeiras
estruturas pré-moldadas foram erguidas no início do ano.
O fato de os ônibus estarem sem uso nas garagens não
preocupa os diretores da Piracicabana Uberaba e Lider Coletivo. "O investimento
foi alto e gostaríamos de que os ônibus já estivessem rodando, mas os atrasos
nas obras ocorreram em decorrência de força maior. Estamos confiantes de que
num curto prazo já possamos rodar”, afirma o gerente da Piracicabana, Rodrigo
Oliveira. A Piracicabana investiu cerca de R$ 500 mil em cada um dos quatro
BRTs que irão compor a frota da companhia. "Enquanto o corredor não fica
pronto, os BRTs não servem para outra coisa. Como só tem portas de embarque em
nível elevado e lado esquerdo, não dá para aplicar nas outras linhas. Ainda
assim, o projeto vai ser de Primeiro Mundo”, acredita Oliveira. Por sua vez, o
diretor da Lider, André Barsan, diz estar confiante no funcionamento do sistema
no segundo semestre.
Raio x
O que prevê o projeto do BRT em Uberaba:
» Corredores
exclusivos
Serão cinco, com extensão de até 5,9 quilômetros, em algumas
das principais avenidas da cidade
» Passageiros
transportados
Hoje são 68 mil passageiros transportados por dia. Meta é
aumento desse número em 18% com o BRT.
» Linhas e velocidade
O BRT deve reduzir o número de linhas, de 36 para 32. A
velocidade deve subir de 15km/h para 25km/h.
» Frequência (*)
Atualmente, os intervalos variam entre cinco e 80 minutos.
Meta é ter intervalos de 3 a 5 minutos
» Tarifa
O bilhete custa R$ 2,90. Sistema de integração permitirá
seguir a um destino pegando três ônibus em intervalo de uma hora e meia.
(*) Linhas de trajeto
prolongado, como as que atendem a zona rural da cidade, continuarão tendo
intervalos acima de 60 minutos.
Três perguntas
para...
PAULO PIAU
PREFEITO DE UBERABA
Por que apostar no
BRT?
O Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba estão no entroncamento do
desenvolvimento nacional. A região crescerá mais que a média mineira e
brasileira. Mobilidade urbana é um problema. Entre um ponto e outro, o trânsito
já demora.
Quais as razões para
os atrasos nas obras?
Temos três problemas: a chuva, que afeta a conclusão da drenagem da
principal avenida do primeiro corredor; uma pendência judicial envolvendo a
desapropriação de uma alça do terminal leste; e a situação financeira da
prefeitura. Faltam-nos R$ 3,5 milhões para construir o terminal leste, que é de
responsabilidade da prefeitura. A coisa está meio paralisada, mas já foi dada
uma autorização para continuarmos os dois terminais.
Como atrair o usuário
de automóvel?
Com um ônibus que passa de três em três minutos e vai atingir as
regiões populosas. Significa perder menos tempo no trânsito. A acessibilidade
está prevista em todas as estações.