18/10/2015 08:00 - Folha de SP
Durante anos, a ponte foi um marco no horizonte de um dos
extremos da cidade de São Paulo. Construída em 1937, era um gigantesco
monumento de concreto com três pares de arcos, que podiam ser vistos de longe,
ao longo da várzea do rio Pinheiros.
Projetada para impulsionar a zona oeste da capital paulista,
a antiga ponte do Jaguaré abrigou um vaivém de industriais e operários que
passaram a ocupar o bairro homônimo. Hoje, ela está abandonada, espremida entre
as duas pistas de suas irmãs mais modernas, inauguradas na década de 70.
Desde então, a velha ponte se deteriora com a chuva e a
vegetação que cresce sobre seu antigo asfalto. Hoje, ela está coberta por um
denso jardim e altas tipuanas carregadas de flores amarelas.
A 10 km do Jaguaré, quem também sofre com os efeitos do
abandono é a primeira ponte do Morumbi, desativada em 1970. Mas, em vez de
árvores, a construção está hoje praticamente vazia. No início de 2015, recebeu
até um piano em uma festa clandestina.
Segundo a Prefeitura de São Paulo, as pontes permanecem na
marginal, mesmo que sem utilidade, devido ao alto custo de sua demolição e à
fragilidade das estruturas.
REVITALIZAÇÃO
Para Stela Goldenstein, diretora-executiva da associação
Águas Claras do Rio Pinheiros, uma proposta viável para a utilização das pontes
abandonadas é transformá-las em passarela ou ciclovia. "Teria impacto
imediato na mobilidade local, já que as pontes estão próximas a diferentes
ciclovias que ainda não estão conectadas", diz.
A associação tenta convencer entidades a reformar as pontes.
Segundo Stela, é possível encontrar um "patrono" para esses locais.
Outra alternativa é a colocação pela prefeitura dessas reformas na cartela de
obras de compensação de impacto de trânsito. Assim, futuros prédios construídos
na região poderiam assumir a revitalização.
"Além da questão da mobilidade, seria mais um espaço
público ocupado em São Paulo", afirma Stela.
Como poderiam ser
recuperadas