28/04/2014 09:54 - SEGS
Em tempos em que as pessoas precisam enfrentar diariamente
trânsito parado e demora para chegar ao trabalho ou à escola, faz-se necessário
procurar opções que resultem em menos carros nas ruas. A carona solidária, no
inglês carpooling, é uma alternativa, na prática, ainda pouco atrativa para
muitos. No geral, as pessoas se mobilizam e procuram as caronas em momentos
pontuais, como por exemplo, uma greve no transporte coletivo, a dificuldade em
encontrar um táxi rapidamente, ou por um problema mecânico no seu veículo.
A carona solidária seria uma medida para estimular o uso do
automóvel por mais de um passageiro, o que contribuiria para a diminuição do
tráfego e do volume de poluentes veiculares, mas tem atraído também usuários do
transporte de massa segundo a especialista em trânsito da Perkons, Idaura Lobo
Dias.
Ela avalia que a medida pode tirar passageiros do transporte
público e diminuir a lotação, mas não necessariamente irá contribuir para
reduzir o número de veículos das ruas. Por isso, a medida não é uma solução
para a melhoria das condições de mobilidade isoladamente, e sim uma alternativa
junto a outras. "Mostra-se mais efetiva quando estimulada nos entornos de
grandes polos geradores de tráfego - como instituições de ensino, estádios de
futebol e grandes empresas -, principalmente nas horas pico, concentradas nos
horários de ida e retorno”, afirma.
Entre os motivos para muitos não aderirem à carona estão
fatores como segurança, cultura e a participação de instituições e do governo.
De acordo com Idaura, o envolvimento das instituições que são polos geradores
de tráfego e seu papel no levantamento de cadastro de endereços de
colaboradores e adoção de mecanismos para organizar as rotas e propor a adesão
são fundamentais. "Para estimular a participação, as instituições podem
estabelecer vagas especiais no estacionamento ou outros incentivos. Os órgãos
gestores do trânsito podem favorecer o carpooling, destinando faixas de tráfego
para quem tiver mais de um passageiro no veículo”, sugere.
A especialista destaca que a adoção da carona solidária
requer adaptação e concessões do motorista e passageiro. "É importante que os
participantes estejam conscientes quanto ao compromisso com o horário, à
predisposição a realizar eventuais desvios de rotas ou de caminhar até um local
combinado, que favoreça o trajeto de ambos, e quanto aos comportamentos
apropriados - como direção segura, higiene, escolha da música e som alto,
zelando pela boa convivência”, aconselha. Outra recomendação é buscar
referências sobre demais participantes e estabelecer um acordo, ainda que
verbal, de como funcionará a carona.
BOX
O que diz a lei
A prática não pode ser cobrada, visto que a condução
remunerada é restrita a quem tem permissão para transportar passageiros,
conforme artigo 135 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Além disso, o
condutor deve ter a informação de que exerce atividade remunerada com veículo
incluída na sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH), segundo artigo 147, §
5° do código. Ao realizar o transporte remunerado de pessoas sem a devida
licença para esse fim, o condutor infringe o artigo 231, VIII do CTB. A
infração é média, punida com multa de R$ 85,13 e 4 pontos na CNH, e o veículo
pode ser retido.
Sites especializados em carona solidária prezam pela segurança
Existem sites que promovem com segurança o contato entre os
interessados na carona. Se não houvesse um site seguro, o publicitário Paulo
Wolf, que há cerca de dois anos dá carona para duas pessoas que residem
próximas à sua casa, não seria adepto da prática. "É uma maneira de me tornar
útil para pessoas que moram perto e fazem exatamente o mesmo trajeto que eu.
Além disso, num trânsito parado é menos estressante ir de um local a outro
batendo papo”, diz.
O site utilizado por Paulo é o www.eco-carroagem.com.br, que
funciona gratuitamente. O criador do projeto, Michel Mazard, explica que é
feito um cadastro rigoroso para garantir a segurança das caronas. O primeiro
passo é fazer a inscrição, que será liberada pelo superior imediato da empresa
que o futuro cadastrado trabalha, pelo fato de conhecê-lo. "95% dos cadastrados
trabalham. Foi a maneira que encontramos para dar segurança a quem pertence à
comunidade. Após a terceira reclamação de um mesmo usuário, o site retira-o dos
registros”, explica.
O site www.caronetas.com.br, com proposta semelhante,
desenvolveu um sistema de milhagem como incentivo à prática. O usuário utiliza
as milhas para dar ou receber carona. Os pontos acumulados pelo motorista podem
ser trocados por produtos ou serviços, ou mesmo carregados num cartão de
crédito.
O CEO do Caronetas, Marcio Nigro, avalia que entre os usuários do site há todos os tipos de pessoa. "50% dos usuários possuem carro. Há aqueles que se inscrevem para ter uma companhia e, dessa forma, se sentem mais seguros, e há outros que procuram sair do transporte público”, acrescenta.