29/05/2013 05:22 - Valor Econômico / O Estado de SP
A rodovia Anchieta
ficou totalmente parada com o excesso de caminhões que tentavam chegar ao porto
de Santos
Com menos de 24 horas em vigor, a Prefeitura de Cubatão
suspendeu ontem o decreto que limita o funcionamento dos estacionamentos de
caminhões com destino ao porto de Santos e provocou um dia de caos nos acessos
à Baixada Santista. A suspensão é válida até terça-feira.
Paralelamente, órgãos envolvidos com a operação portuária
tentarão localizar áreas em São Paulo para deslocar da Baixada parte da triagem
de carretas. O porto recebe por dia mais de 10 mil caminhões que passam por
dois estacionamento em Cubatão.
A decisão foi anunciada pela prefeita Marcia Rosa (PT) após
reunião emergencial, na sede da prefeitura. Segundo a Secretaria de Portos
(SEP), a reunião foi organizada por determinação do ministro Leônidas Cristino,
que recebeu pela manhã um telefonema da ministra Gleisi Hoffmann, da Casa
Civil. O decreto vai na contramão do que pretende o governo, que recém-lançou o
programa Porto 24 horas com o intuito de tornar ininterruptas as operações
portuárias.
Em entrevista ao Valor, Cristino disse que a solução para o
fim dos congestionamentos passa pelo controle da carga na origem, o que só será
obtido com o programa Carga Inteligente, em implantação pela SEP. No longo
prazo, disse, a solução é ampliar a oferta viária. A SEP está coordenando um
pacote de acessibilidade ao porto que inclui estudos dos governos federal,
estadual e municipal. Ontem, o ministro recebeu o secretário de Transportes do
Estado, Saulo Ramos, para discutir soluções. A reunião já estava marcada.
"No próximo dia 10 esses estudos serão compatibilizados",
disse o ministro. O pacote irá contemplar viadutos, alças e acessos, dentro e
fora do porto. Sobre o cronograma de obras, Cristino disse que a intenção é
lançar os editais "o mais rapidamente possível".
O decreto entrou em vigor na segunda-feira proibindo que os
dois pátios de triagem (Ecopátio e Rodopark) operassem entre 18 horas e 8
horas. Como a maioria dos caminhões chega após as 18 horas, em razão do rodízio
de caminhões na capital, a noite de segunda-feira e a madrugada de terça-feira
foram de trechos literalmente parados. Alguns caminhoneiros desligaram o motor,
fazendo da Via Anchieta um estacionamento a céu aberto.
No pico do problema, os trechos parados somaram 50
quilômetros em ambos os sentidos - litoral e São Paulo. Entre as 23 horas e 4
horas a Ecovias (concessionária rodoviária) recebeu 1.765 ligações de pedidos
de socorro e informações.
O ponto mais crítico foi na Via Anchieta, no sentido
litoral, com 24 quilômetros de congestionamento. O ônibus em que estava a
educadora física Meyre Jansen, voltando de São Paulo, ficou mais de quatro
horas sem sair do lugar no km 53, das 23 horas às 3h20. Ontem ela desistiu de
ir trabalhar em São Paulo com medo de que o transtorno da volta se repetisse.
A prefeita disse que o decreto foi uma tentativa de
"encarar o problema". Segundo ela, o município vem tentando, sem
sucesso, construir uma solução conjunta para os congestionamentos. Cubatão é
cortada por quatro rodovias e as carretas paradas têm gerado perdas ao
município. Ela listou o aumento da poluição, a insegurança da população e os
prejuízos causados ao polo industrial, principal fonte de receita do município.
"Isso numa cidade com histórico de problemas ambientais
e que lutou muito para sanar o problema. Toda produção do nosso polo é
condicionada a este controle ambiental. Então se aumenta o número de material
particulado a cidade para de produzir", disse. Segundo o presidente do
Ciesp de Cubatão, Raul Elias Júnior, a indústria está sendo prejudicada. Ele
não calculou os prejuízos, mas disse que os turnos estão sendo afetados porque
as pessoas não conseguem chegar nas empresas.
Marcia disse que o decreto ainda não será revogado.
"Não tem solução definitiva para o problema. Acredito que a proposta da
Companhia Docas do Estado de São Paulo de organizar a entrada e saída de cargas
ajudará bastante." No mês passado a Codesp determinou que os terminais do
porto interliguem seus dados de recebimento de cargas ao sistema de agendamento
eletrônico. Conforme números da semana passada, 31 de 42 terminais aderiram ao
sistema.
O Estado de SP
Restrição a
caminhões provoca fila de 50 km
Decreto assinado por
prefeita de Cubatão fechou pátios reguladores durante a noite; medida foi
suspensa até terça, 4
SÃO PAULO - Depois de provocar um congestionamento de 50
quilômetros (km) nas estradas do Sistema Anchieta-Imigrantes, a prefeita de
Cubatão, Márcia Rosa (PT), teve de suspender o decreto municipal assinado
sexta-feira. O documento limitava o horário de funcionamento dos pátios
reguladores (onde ficam estacionados os caminhões rumo ao Porto de Santos) das
8 às 18 horas.
Fora desse horário, o local tinha de ser fechado – um
contrassenso diante da decisão do governo, no início do mês, de determinar a
operação 24 horas dos portos públicos para amenizar os gargalos logísticos.
Desde fevereiro, com a safra recorde de milho e soja, o Porto de Santos – e
seus acessos – está sobrecarregado.
O decreto da prefeita provocou um caos generalizado na
região, travando não só a descida para Santos como também a subida da serra. De
acordo com a Ecovias, o tráfego ficou parado desde a praça de pedágios, no
planalto. Os caminhoneiros eram os mais revoltados com a situação, uma vez que
foram pegos de surpresa com a medida. Sem lugar para estacionar, ficaram
parados na estrada desde a madrugada.
A medida, cujo objetivo era melhorar o tráfego da cidade,
teve reflexos negativos para a economia local. As empresas do polo industrial
de Cubatão foram as mais prejudicadas, já que os ônibus com os trabalhadores
ficaram parados ao longo da Anchieta. Somente por volta do meio-dia é que a
situação começou a se normalizar.
A viagem da capital à Baixada Santista chegou a demorar
cinco horas, quando com tráfego normal leva pouco mais de uma hora. A Ecovias
fechou uma alça de acesso da Anchieta para a Cônego Domênico Rangoni a partir
das 15 horas, obrigando os caminhões a continuarem o trajeto em direção a
Santos. No horário da manhã, a Anchieta também foi fechada para a descida. Um
comboio de caminhões foi organizado pela concessionária, que autorizava a
descida de acordo com a fluidez da estrada. A subida só foi autorizada pela
Imigrantes.
Corre-corre. A
situação caótica provocou corre-corre entre autoridades portuárias, governo
federal e a prefeitura. Com a repercussão negativa do congestionamento, o
ministro da Secretaria de Portos (SEP), Leônidas Cristino, convocou uma reunião
de emergência para tentar solucionar o problema. De Brasília, ele comandou o
encontro em Cubatão, com a presença da prefeita e de representantes da
Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), da concessionária Ecovias e da
Secretaria de Assuntos Portuários de Santos.
Diante do caos, o decreto foi suspenso – pelo menos, até
terça-feira, quando nova reunião será realizada. "Ontem (terça-feira, 28),
discutimos algumas alternativas para reduzir o problema, como a construção de
novos pátios reguladores no planalto. Isso ajudaria a reduzir as filas",
afirmou o ministro da SEP, Leônidas Cristino. A Codesp também deverá acelerar a
implementação do sistema de gerenciamento de cargas dos terminais.
O ministro afirmou também que o governo federal vai
trabalhar em parceria com o governo do Estado para planejar obras estruturantes
na Baixada Santista. Nesta terça-feira ele se encontrou com o secretário de
Logística e Transportes de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, e discutiu
acordos para que a Dersa gerencie obras na região.
Segundo o secretário de São Paulo, um dos projetos é o acesso a Santos, que deverá ter a participação do governo do Estado, prefeitura de Santos e governo federal. A obra, calculada em R$ 600 milhões e com prazo entre 18 e 24 meses para ser concluída, tem o objetivo de segregar o transporte de caminhões por tipo de carga. "Há tempos estamos negociando esta parceria, que vai economizar tempo e dinheiro."
Folha de SP
Restrição a
caminhão trava acesso ao litoral
Cubatão suspende
decreto após causar filas de 50 km na Anchieta-Imigrantes
Cidade limitou acesso
a pátios e deixou veículos pesados parados em rodovia; viagem de ônibus demorou
até 8 h
Às vésperas do feriado de Corpus Christi, um decreto
municipal de Cubatão (SP) que limitou o funcionamento dos pátios usados para
regular o acesso de caminhões ao porto de Santos levou caos ao sistema
Anchieta-Imigrantes, que registrou congestionamentos de até 50 km.
A lentidão na descida pela Anchieta chegou até São Bernardo
do Campo, no ABC, deixando motoristas parados durante mais de três horas.
Ônibus chegaram a demorar oito horas até Santos (viagem que leva normalmente
uma hora).
Diante da dimensão do problema, a Prefeitura de Cubatão
recuou no final da tarde e suspendeu o decreto --mas só até a próxima terça.
O transtorno na principal ligação da capital ao litoral
levou o Estado a avaliar ações judiciais. "Não é possível fazer das
rodovias do Estado estacionamento de caminhões, ainda mais chegando o
feriado", disse o governador Geraldo Alckmin (PSDB).
PÁTIOS
"Tomamos essa decisão porque achamos que era o melhor
para Cubatão. Não tínhamos o desejo de causar problemas maiores. Não foi uma
medida simpática, nem tinha o desejo de ser", disse a prefeita Marcia Rosa
(PT).
A medida, que havia entrado em vigor anteontem, proibiu os
pátios da Elog e do Rodopark, em Cubatão, os únicos usados para controlar o
acesso de caminhões ao porto, de funcionar das 18h às 8h. O objetivo alegado
era melhorar o tráfego na cidade.
Com isso, caminhoneiros ficaram parados na Cônego Domênico
Rangoni à espera da abertura dos pátios, e o congestionamento logo atingiu a
rodovia Anchieta.
Às 7h40, o engarrafamento levava motoristas a desistirem da
viagem rumo ao litoral. O representante comercial Marco Antônio da Silva, 59,
ficou parado por três horas na Anchieta, após passar o pedágio. Acabou
voltando.
"A previsão é que só melhoraria no final da tarde.
Peguei uma estrada de barro, fui parar na pista contrária, voltei e só atendi
meus clientes por telefone", afirmou.
A Ecovias, concessionária responsável pelo sistema, chegou a
bloquear a descida de veículos pela Anchieta.
A situação foi normalizada à tarde, quando os caminhões
acessaram os pátios.
Segundo a Ecovias, hoje há previsão de trânsito normal.
NOVA REUNIÃO
A prefeita, que enfrenta o desgaste de um processo de
cassação na Justiça, disse que adotou a medida devido aos problemas causados
por caminhões em Cubatão.
"Há anos o trânsito na cidade está caótico, sobretudo
durante o dia. Pessoas deixam de trabalhar, a indústria não escoa a produção e
os caminhões parados na estrada provocam poluição", disse.
A suspensão do decreto veio após reunião da prefeita com as polícias Militar e Rodoviária e Ecovias, dentre outros órgãos. O problema, porém, continua: nova reunião ocorrerá na terça, e a prefeitura não descarta retomar as restrições.
Ônibus levam até 8
horas para chegar a Santos
Por causa do trânsito causado pela decisão da Prefeitura de
Cubatão, ônibus que levavam passageiros de São Paulo demoraram até oito horas
para chegar a Santos (a 72 km de SP).
No caminho inverso, os ônibus demoraram cerca de seis horas
para cumprir um trajeto que normalmente é feito em uma hora.
Cansados de esperar no congestionamento, um grupo de dez
passageiros desceu do ônibus da viação Cometa, antes da serra, e decidiu seguir
a pé o percurso até o ABC paulista.
"As estradas estão um caos e vou perder minha consulta médica", disse a funcionária pública Patrícia Vasconcelos, 40, que estava no terminal Jabaquara (zona sul de São Paulo) e seguia para Santos ontem. Patrícia chegou a tempo ao médico, mas esperou mais de três horas dentro do veículo.