22/05/2014 07:39 - Jornal de Piracicaba
No segundo dia de operação da Via Ágil no transporte público
de Piracicaba, uma passageira cadeirante esperou quatro horas para voltar para
casa por falta de ônibus com a plataforma elevatória funcionando.
Ela encontrou sete ônibus com o sistema quebrado. A empresa
lamentou o fato e disse que a manutenção da frota é feita regularmente.
Com distrofia muscular progressiva, que a obriga utilizar
uma cadeira de rodas, a estudante Ednaura Lopes da Costa, 30, moradora do
Parque dos Eucaliptos, vivenciou na quarta-feira (21/05) o caos enfrentado
diariamente por deficientes físicos no transporte público municipal.
Com consulta agendada às 10h30 no HFC (Hospital dos
Fornecedores de Cana), como sempre faz, ela comunicou a empresa de ônibus na
véspera, que na quarta-feira (21/05) pela manhã precisaria de veículo com o
elevador de plataforma no Terminal Paulicéia.
Às 8h30 chegou ao terminal acompanhada da mãe e os três
ônibus que as levariam ao HFC estavam com o elevador de plataforma inoperante.
"Os motoristas disseram que em todos os casos o elevador
está quebrado faz tempo”, afirmou. Diante do problema e já próxima do horário
do atendimento médico, ela optou por embarcar no primeiro que a levasse ao
Centro. "Subi em um ônibus que passava muito longe do HFC, mas não tinha jeito,
eu não podia perder a consulta. Como este ônibus parou longe do hospital, minha
mãe, de 70 anos, precisou empurrar a cadeira por uma ladeira. Cheguei
atrasada”.
VOLTA — No
retorno para casa, a situação enfrentada por Ednaura e a mãe foi ainda mais
complexa. Elas chegaram 12h30 no Terminal Paulicéia e precisaram esperar quatro
horas para embarcar, já que os quatro ônibus que passaram também estavam com o
elevador danificado.
"Estou sem almoçar, comi só uma coxinha. Também não trouxe
meus remédios”. A reportagem do JP esteve no terminal e acompanhou os últimos
30 minutos de espera de Ednaura. O caso chamou a atenção dos usuários que
passavam pelo local, que manifestavam sua indignação.
"Isso é o símbolo do descaso, as autoridades não estão nem
aí para o povo. Vi o problema e liguei para a polícia, mas eles disseram que
não podiam fazer nada”, disse o auxiliar Hugo Leonardo.
Ao chegar um ônibus da linha Monte Líbano, que levaria
Ednaura e a mãe para casa, o motorista tentou por 15 minutos fazer o elevador
funcionar, sem sucesso.
Outro veículo foi acionado. Às 16h30, todos os passageiros
que já estavam no ônibus tiveram que descer e embarcar em outro que tinha a
plataforma funcionando. Após quatro horas de espera, Ednaura conseguiu
embarcar.
DRAMA — A
dificuldade enfrentada por Ednaura na quarta-feira (21/05) se repete diariamente
na rotina dela e de mais duas irmãs. A mãe Celuta Gomes da Costa afirmou que
seus cinco filhos nasceram com a mesma doença.
"Moram comigo três filhas, todas cadeirantes, os outros
dois, com o mesmo problema moram fora. Sou responsável por tudo com as meninas,
levo elas para todos os lugares e essa situação de hoje (quarta, 21/05) se
repete todos os dias. Já estou velha e acho que vou morrer sem ver esse
problema ser resolvido”, disse.
RESPOSTA — Procurada, a Via Agil, empresa responsável pelo transporte público na cidade, lamentou. "Sentimos muito pelas dificuldades vividas pela usuária. Fazemos a manutenção de nossos veículos diariamente e os problemas nestes elevadores não deveriam acontecer. Estamos renovando nossa frota e em breve 50 ônibus novos, totalmente adaptados para cadeirantes, serão colocados em circulação”, disse Noedir Davanzo, gerente da Piracema, empresa da qual a Via Ágil é sócia.