09/08/2013 08:43 - Valor Econômico / O Estado de SP
O governo de São Paulo relançará na próxima terça-feira, dia
13, o edital de licitação da Linha 6-Laranja do metrô na capital paulista. Sem
interessados na Parceria Público-Privada (PPP) no primeiro lançamento, no
último dia 30, o governo paulista modificou o documento para assumir
integralmente o custo de desapropriações e reassentamentos, reajustar os preços
estimados e deixar mais evidente a ausência de cobrança de PIS/Cofins relativos
ao empreendimento.
A perspectiva do secretário de Planejamento e Desenvolvimento
Regional paulista, Júlio Semeghini, é que desta vez dois ou três consórcios
ofereçam propostas. Apenas as desapropriações estão orçadas entre R$ 650
milhões e R$ 700 milhões. Com 15 estações e 15,9 km de extensão, a nova linha
do metrô tem previsão de custo entre R$ 8 bilhões e R$ 9 bilhões.
Após o lançamento do edital, a licitação deverá ocorrer em
45 dias. A expectativa da secretaria é que o contrato seja assinado até o fim
do ano; o tempo máximo para a entrega da obra é de seis anos. Há, no entanto, a
possibilidade de alguns trechos serem liberados antes do fim do prazo, a
exemplo do que aconteceu com a Linha 4-Amarela.
O custo das desapropriações e a insegurança jurídica sobre o
tema foram apontados como os principais inibidores dos consórcios na ocasião do
primeiro lançamento do edital. "Esse era o ponto mais crítico. Especulação
imobiliária não é o negócio dessas empresas, por isso que foi gerada essa
incerteza. Além disso, elas não queriam ver suas imagens ligadas à
desapropriação de 300, 500 famílias", afirmou Semeghini.
No novo modelo, o governo estadual vai arcar com o processo
de desapropriação, "pois tem melhor estrutura e expertise nessa
área". A segunda fonte de insatisfação por parte das empresas estava na
estimativa de custos, baseadas em estudos de viabilidade técnica e econômica
realizados tanto pelo governo como pelo setor privado em janeiro de 2012. Os
preços foram reajustados "em cerca de 10%", correção do período até
julho deste ano. "Também deixamos mais esclarecida a isenção de
PIS/Cofins."
Com os ajustes, a secretaria está otimista a respeito do sucesso no lançamento da próxima terça-feira. A expectativa é que dois consórcios de empresas nacionais e um misto participem. "O edital obriga que haja uma construtora e uma operadora com experiência no mercado. O consórcio misto foi buscar a experiência da operadora francesa e da construtora espanhola. Isso pode agilizar bastante a construção", afirma Semeghini.
O Estado de SP
Governo assume desapropriações da futura
Linha 6
Após fracassar a última tentativa de licitação, Estado decide ceder em
alguns pontos para mudar edital, que será lançado novamente
Um novo edital para a Linha 6-Laranja do Metrô - a chamada
linha das universidades, que ligará a zona norte ao centro de São Paulo -
deverá ser lançado na terça-feira, segundo o governo do Estado. Depois que a
última tentativa de começar a licitação fracassou, em 30 de julho, por falta de
grupos privados interessados em participar do certame, o governo resolveu ceder
em alguns pontos que preocupavam o empresariado.
A nova configuração prevê que o Estado pague todas as
desapropriações e o reassentamento de 300 a 500 famílias. O texto anterior
estipulava que os custos seriam divididos entre a iniciativa privada e o poder
público. Também foi alterada a data-base para calcular os valores do contrato -
de janeiro de 2012 para agosto de 2013.
O grupo de empresas que vencer a licitação para a Parceria
Público-Privada (PPP) da Linha 6 será responsável por fazer o projeto executivo
do ramal, construir a linha e comprar os trens. Em troca, o setor privado
poderá lucrar com a operação da linha durante 30 anos. Parte do dinheiro obtido
com o movimento de passageiros é devolvida ao Estado - a linha deve transportar
600 mil pessoas por dia.
Para garantir que haverá retorno ao investidor, o Estado
deve autorizar o ganhador da licitação a começar a operação em só um trecho. A
estratégia é semelhante ao que ocorreu com a Linha 4-Amarela: ela abriu em maio
de 2010 com duas estações e em horário reduzido. O governo trabalha com a
hipótese de que as primeiras quatro estações da 6-Laranja sejam abertas no fim
de 2017. O ramal todo, com 13,3 km e 20 estações, deve ficar pronto em 2019.
Reunião. As
alterações no edital da Linha 6 foram aprovadas na quarta-feira pelo Conselho
Gestor das PPPs do Estado. A expectativa do governo é de que as propostas sejam
recebidas 45 dias após a publicação do edital e que até novembro os contratos
sejam assinados. Se tudo correr como o planejado, as obras começam em dezembro,
de acordo com o governo.
Só com as desapropriações, o poder público deve gastar cerca
de R$ 600 milhões, segundo estimativas iniciais. Isso não significa, porém, que
o Estado gastará mais com o projeto do que o previsto, na opinião do secretário
estadual de Planejamento e Desenvolvimento Regional, Julio Semeghini, que
também é o presidente do Conselho Gestor das PPPs do Estado.
"Estamos antecipando o investimento. O edital prevê
contrato de 30 anos. Estamos fazendo um ajuste de caixa no período de operação
da linha", disse Semeghini, explicando que o investimento retornará ao
Estado ao longo das três décadas. "A desapropriação é um ponto crítico. As
empresas ficam inseguras. Elas fazem construção, operam metrô, não estão
acostumadas a lidar com isso."
O Estado deve fazer uma parceria com o Tribunal de Justiça para agilizar as desapropriações. A proposta é que um perito faça a avaliação do imóvel. Caso o morador aceite o valor, o Estado paga na hora. Se não aceitar, o preço do imóvel será discutido judicialmente. Como garantia, o Estado depositará 80% do valor definido inicialmente.