24/09/2013 08:45 - Valor Econômico
Enquanto trabalha na captação de recursos para um segundo
fundo de investimentos em infraestrutura, a P2 Brasil - joint venture formada
entre a gestora Pátria Investimentos e o grupo Promon - vê sua primeira
"startup" se tornar operacional. Voltada a logística fluvial de
cargas, a Hidrovias do Brasil começou a registrar receitas, além de receber
financiamento para um contrato com a Vale e investir R$ 800 milhões para
exportar commodities agrícolas oriundas do Centro Oeste pelo Norte do país.
A companhia registrou seus primeiros números de receita no
segundo trimestre deste ano, e por isso deixa de ser considerada uma companhia
pré-operacional pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A receita líquida
somou R$ 711 mil de abril a junho. No mesmo período, o resultado líquido foi de
R$ 5,9 milhões.
Bruno Serapião, diretor-presidente da Hidrovias do Brasil,
diz que a companhia tem hoje um contrato em operação com o grupo
Christophersen, pelo qual são transportadas 1,2 milhão de toneladas de celulose
por ano pelo rio Uruguai.

Agora, o plano da Hidrovias para fechar mais contratos é
investir em um corredor logístico que vai de Mato Grosso ao Pará. O plano é
levar commodities de barcaças vindas do Centro Oeste e, depois, embarcá-las em
navios exportadores. Isso ajudaria a inverter a lógica atual de transporte das
commodities, que em geral descem até os portos de Santos (SP) e Paranaguá (PR),
sobrecarregando estradas, ferrovias e terminais do Sul e do Sudeste.
Os investimentos no Pará são destinados à construção de um
terminal de uso privativo em Vila do Conde (PA), a uma estação de transbordo em
Miritituba (PA) e à compra de embarcações. O projeto terá capacidade para 4,4
milhões de toneladas ao ano e tem previsão de operar em 2016. Os recursos
próprios para o novo investimento já existem, segundo Serapião, faltando agora
os cerca de 70% oriundos de financiamento.
Enquanto os novos recursos não vêm, os executivos já
comemoram a parceria feita recentemente com cinco bancos para o financiamento
de um contrato com a Vale. Santander, Itaú BBA, Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID), International Finance Corporation (IFC, braço do Banco
Mundial) e Sumitomo Mitsui Banking Corporation emprestarão US$ 238 milhões à
Hidrovias. Os recursos serão destinados à implementação do projeto de
transporte de minério de ferro pela hidrovia Paraná-Paraguai. O contrato com a
Vale tem previsão de operar em dezembro de 2014 e prevê o transporte de mais de
3 milhões de toneladas de minério ao ano, com investimentos totais previstos em
US$ 400 milhões - destinados a barcaças e empurradores.
Por meio de contratos como esse, o executivo espera que o
ápice da operação da Hidrovias aconteça até 2016, seis anos depois da criação
da companhia. Geralmente, a controladora P2, assim como os fundos em geral,
trabalha com um prazo de "saída" dos investimentos de 12 anos.
No curto prazo, no entanto, não deve haver mudanças na
composição acionária da Hidrovias. Segundo Felipe Pinto, diretor de
Investimentos do P2, a companhia já está capitalizada depois da entrada dos
recursos oriundos dos fundos Temasek e Aimco.
A Hidrovias abriu capital em 2011 e levantou no mercado a
hipótese de uma oferta de ações na bolsa. Mas os executivos dizem que esse não
é o plano - pelo menos não no curto prazo. "O IPO é algo que pode ou não
acontecer", diz Pinto.
A P2 tem ainda outras cinco empresas no portfólios: Nova
Agri (de logística de commodities agrícolas), Oceana (de construção naval e
apoio logístico à indústria do petróleo), Latin America Power (de geração de
energia na América Latina), Nova Opersan (de gestão de resíduos industriais) e
Highline (de telecomunicações).
Cerca de 80% dos recursos do fundo P2 já foram usados e
novas oportunidades estão sendo estudadas para o saldo remanescente. Os
executivos não comentam esse assunto. Ao todo, o primeiro fundo do P2 reuniu
US$ 1,15 bilhão. O patrimônio do segundo fundo deve ser semelhante ao primeiro,
e pode alcançar até R$ 2,5 bilhões. Os executivos não comentaram o assunto, mas
sabe-se - conforme apurou o Valor - que o fundo já está recebendo investidores.
Mesmo com um novo fundo, a P2 não deve participar dos
grandes leilões do governo em rodovias, aeroportos e ferrovias. Em geral, os
fundos mencionam pouco retorno com esses projetos. Entretanto, na área da
Hidrovias, a companhia vai analisar as oportunidades a serem anunciadas pelo
governo.