02/06/2013 10:50 - Folha de SP - Ribeirão
Estação Barracão, no
bairro Ipiranga, que guarda parte do acervo ferroviário de Ribeirão Preto - Márcia
Ribeiro/Folhapress
As estradas de ferro são parte fundamental da história de
Ribeirão Preto. Graças à chegada da Mogiana à cidade em 1883, em um momento de
ampliação da rede ferroviária, a cultura do café se expandiu, o fluxo
migratório, também, e a cidade cresceu.
O que resta dessa história, porém, é quase nada --está
relegado ao interior da estação Barracão, no Ipiranga.
A Prefeitura de Ribeirão Preto promete um museu, mas não há
previsão de quando deve sair do papel.
Presidente do Instituto História do Trem, Denis Esteves diz
que Ribeirão deveria ter um museu do trem "há muito tempo". Ele
afirma que várias peças documentais do acervo que estavam no galpão da estação
se perderam.
"Ribeirão Preto só se tornou o que é pela ferrovia e
deveria ser grata por isso", diz. "Mas parece que ninguém se importa
com esse legado."
O secretário de Cultura, Alessandro Maraca (PSD), diz que
existe interesse em implantar um museu no Barracão. "Ainda precisamos
acertar a doação do prédio para a prefeitura", afirma.
SÃO SIMÃO PRESERVA
A situação é diferente em São Simão, cidade com menos de 15
mil habitantes onde a Mogiana também chegou em 1883 e que mantém um museu do
trem na antiga estação de Bento Quirino.
A pequena cidade, que já foi comarca de Ribeirão, também
deve seu desenvolvimento às locomotivas da Mogiana e da EFSPM (Estrada de Ferro
São Paulo Minas).
O acervo é pequeno e ocupa apenas uma sala. Tem a história
de ferroviários, fotografias e peças como telégrafo e telefones antigos.
São Simão e Ribeirão Preto já disputaram até o acervo
guardado no Barracão da Mogiana. Em 2010, 35 peças foram retiradas do local
pela prefeitura simonense --segundo o município, com autorização do Dnit
(Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).
O incidente levou ao tombamento provisório tanto do prédio,
ainda hoje pertencente ao Dnit, quanto dos objetos guardados nele. A medida
impediu novas mudanças. E o inventário das peças ficou pronto há menos de um
ano.
Outra cidade da região com tradição em ferrovias, Araraquara
mantém o museu ferroviário Francisco Aureliano de Araújo.
O município, onde a ferrovia chegou em 1885, ainda tem uma
oficina de trens. O museu possui diversos objetos relativos à extinta EFA
(Estrada de Ferro de Araraquara), resquícios dos vagões (como luminárias e
lampiões) e material gráfico (como carteirinhas de ferroviários).
Estudiosa quer trem
para turismo em São Simão
A turismóloga Viviane Minati Panzeri, 38, diz acreditar que
as ferrovias não deveriam ser tema para a história. Elas poderiam incrementar
também o turismo de São Simão.
Em seu doutorado pela Universidade de Campinas, ela faz um
inventário do município e aponta como principal atrativo as belezas naturais da
cidade que poderiam ser apreciadas em passeios de trens.
No passado, São Simão teve a extensão territorial de 18 municípios, incluindo Ribeirão. Para Viviane, os avanços trazidos pelas estradas de ferro criaram casarões de estilos antigos. "É o que a faz ser bonita."