09/03/2014 08:22 - Estado de Minas
Leia: Um
dia para a história: crônica sobre a estreia do BRT/Move
Conforto nos ônibus e muitos ajustes a serem feitos. Esse
foi o balanço das viagens realizadas pela reportagem do Estado de Minas e a
avaliação de boa parte de passageiros e motoristas no primeiro dia de operação
comercial do BRT/Move, sistema de transporte rápido por ônibus de Belo
Horizonte. No balanço da BHTrans, 15 mil pessoas embarcaram ontem nas três
linhas do sistema das 5h às 16h. Os novos veículos, que em uma primeira etapa
começaram a circular pela Avenida Cristiano Machado, Centro, Savassi e área
hospitalar, encantaram usuários pela comodidade, mas houve reclamações sobre
problemas como falta de informação, pouca sinalização das estações e pontos de
ônibus, televisores incapazes de informar corretamente o horário de chegada e
partida dos coletivos e portas dos ônibus trafegando abertas (veja quadro).
Parte dos passageiros também se disse em dúvida sobre a agilidade do sistema,
principalmente por causa do tempo de espera nas estações, semáforos ao longo do
caminho e o trânsito no Centro da cidade.
O BRT/Move começou a operar com três linhas: a 83D, que faz o percurso direto entre a Estação São Gabriel, na Região Nordeste, e a Região Central; a 83P, que cumpre o mesmo trajeto parando ao longo de oito estações na Cristiano Machado; e a 82, que vai da Estação São Gabriel à Savassi, passando pela área hospitalar. Às 4h da manhã o sistema deu a largada com problemas de comunicação. Apesar do anúncio da BHTrans de que os dois primeiros ônibus articulados do BRT sairiam da parte antiga da Estação São Gabriel, dois coletivos partiram vazios da ala nova do terminal. Nem mesmo os agentes da empresa que administra o trânsito da capital se deram conta de que os veículos já tinham partido. Só quando o terceiro articulado foi levado à parte mais antiga é que quatro passageiros puderam entrar. Depois que o ônibus embicou na Avenida Cristiano Machado, o porteiro Rogério da Silva, de 46 anos, ficou aliviado. "Acho que sou o primeiro passageiro do BRT. O ônibus é confortável e tem ar-condicionado, o que ajuda bastante, mas um sistema desse tipo não pode falhar por falta de informação”, disse.
A equipe do EM fez 10 viagens completas no novo sistema, que se inspirou no metrô para ganhar eficiência. No BRT, pontos de embarque dão lugar a estações, onde, numa tela, o passageiro pode conferir em tempo real quantos minutos faltam para o coletivo chegar. O pagamento do bilhete ocorre dentro da própria estação e o embarque é feito no mesmo nível do veículo, sem qualquer degrau. Os ônibus trafegam em corredores segregados das pistas de carros, agilizando o percurso, e são articulados, maiores que os convencionais.
A bordo, uma das constatações é de que o principal desafio da BHTrans será melhorar o desempenho do BRT/Move na área central. Por várias vezes, o tempo gasto entre a Estação São Gabriel e o Hipercentro é quase o mesmo para se percorrer um curto trecho entre as estações São Paulo, na Avenida Santos Dumont, e Tamoios, na Avenida Paraná. Numa viagem na linha 83D, o articulado foi em 16 minutos da Estação São Gabriel à Avenida Santos Dumont. Entretanto, levou mais 10 minutos apenas para continuar até a Avenida Paraná. Às 8h30, a reportagem gastou apenas 11 minutos da Estação São Gabriel à Avenida Santos Dumont, tempo abaixo dos 15 minutos estipulados pela BHTrans como meta para o trajeto. Na linha 83P, o novo sistema levou de 22 a 28 minutos para cumprir o trajeto entre a Avenida Santos Dumont e a Estação São Gabriel, enquanto a meta da BHTrans é de 30 minutos.
Já a linha 82, que vai até a Savassi via hospitais, gastou 32 minutos, às 5h da manhã, para ir da São Gabriel à Savassi. Às 9h, esse tempo aumentou para 43 minutos, muito por conta de engarrafamento na Avenida dos Andradas e na Av. Francisco Sales, onde não há faixa exclusiva para o BRT/Move. A bordo do ônibus estavam a professora Giane Barbosa, de 46, e sua filha Daniela, de 17. "Gastamos quase o mesmo tempo em relação ao ônibus comum, mas o BRT é muito mais confortável”, afirmou Giane.
HORA CERTA
Houve problemas com a a pontualidade do BRT/Move, apresentada como uma das vantagens do sistema. Nas estações, nem sempre havia informações sobre o horário do ônibus e, em algumas situações, o usuário foi deixado para trás. Dois ônibus passaram direto da Estação São Paulo, na Avenida Santos Dumont, e a costureira Norma Moreira ficou nervosa. O alívio veio quando finalmente conseguiu embarcar. "Ele demorou muito para chegar, mas é muito mais confortável”, diz. Houve passageiros que esperaram mais que o anunciado no painel, como o empresário Robson Augusto de Oliveira, de 42. Apesar de o painel indicar que o articulado chegaria em 14 minutos, ele acabou aguardando 20 minutos.
Segundo a BHTrans, o tempo médio de intervalo entre as viagens foi de cerca de 7 minutos. A linha 82 fez 41 viagens, com tempo médio de 1h11 minutos, ida e volta. A linha 83D também fez 41 viagens, com tempo médio de 49 minutos, ida e volta. Já a linha 83P realizou 39 viagens. O tempo de ida e volta foi de 1h2min. Levando em conta as metas da BHTrans para cada trecho da viagem, as linhas 83P e 83D registraram tempo médio acima do previsto.
Após estreia com
falhas, prefeitura anuncia ajustes no BRT
Marcio Lacerda e o presidente da BHTrans fazem balanço positivo da
estreia, avaliam que eventuais falhas são normais no processo de implantação e
prometem correções até amanhã
As falhas nas quais os passageiros de ônibus esbarraram no
primeiro dia de operação do BRT/Move de Belo Horizonte foram reconhecidas pelo
prefeito Marcio Lacerda (PSB) e o presidente da BHTrans, Ramon Victor Cesar. Em
entrevista no fim da manhã, os dois afirmaram haver a necessidade de ajustes
para o novo sistema de transporte público da capital, mas consideraram que o
processo é normal para a fase de implantação. Apesar dos transtornos, eles
avaliaram como positivo o resultado e ressaltaram a satisfação dos usuários com
a qualidade e conforto dos veículos.
Lacerda afirmou que a opção por iniciar o novo modal de
transporte por etapas foi justamente para que houvesse condições de verificar
todos os detalhes e corrigir rapidamente os defeitos, sem grande impacto para
os usuários. ”É natural, em qualquer mudança, principalmente nos serviços
públicos, ter que acertar os erros. Estamos priorizando todos os aspectos de
segurança para as pessoas que usam o serviço. Pedimos desculpa por eventuais
falhas, mas temos certeza que esses erros não irão desmontar o que está por
vir”, disse o prefeito.
O presidente da BHTRans também se manifestou sobre as
queixas das pessoas que andaram no BRT /Move no seu primeiro dia de
funcionamento. Ramon Victor explicou que a escolha do sábado foi estratégico. O
dia, segundo ele, é o ideal para uma operação dessa grandeza, por ser
intermediário com o domingo e o primeiro dia útil. Ele informou que são mais de
30 técnicos da BHTrans trabalhando no fim de semana com suas funções e responsabilidades
definidas. "Vamos preparar um levantamento com todos as falhas pontuadas para
corrigi-las antes da segunda-feira”, afirmou.
Em relação aos painéis de comunicação visual, como por
exemplo o mapa da rede, Ramon Victor informou que eles também serão implantados
por etapas. Enquanto isso, os usuários deverão tirar as dúvidas com os
funcionários contratados para isso. O presidente da BHTrans também falou sobre
as dificuldades de alguns dos motoristas, constatadas ontem, em manobrar os
ônibus nas plataformas e alguns trechos da cidade; Segundo ele, embora os
condutores tenham passado por uma série de treinamentos teóricos e feito aulas
práticas nos últimos 60 dias, somente no dia a dia é que irão ganhar habilidade
com os novos veículos.
Prefeito no BRT
O prefeito Marcio Lacerda fez uma viagem de BRT na manhã de
ontem acompanhado de secretários de governo e autoridades dos ministérios do
Planejamento e das Cidades. O prefeito optou por pagar a passagem, mas na hora
de adquirir dois bilhetes deu apenas R$ 5 à cobradora. Percebendo que não era
suficiente, o chefe do executivo municipal tirou mais R$ 2 para completar as
duas entradas, arrancando risadas de quem estava próximo. Dentro do coletivo,
Lacerda conversou com passageiros e também com o motorista. "Optamos por um
processo de implantação gradual exatamente para que todo o sistema seja
ajustado”, reforçou. O prefeito terminou a viagem na Estação Tamoios, na
Avenida Paraná e o tempo gasto no percurso foi de 23 minutos.
Antônio Carlos pode
ser antecipada
O desempenho do BRT/Move do corredor Cristiano Machado pode
antecipar a inauguração do novo sistema no corredor Antônio Carlos, previsto
para começar a operar em abril. A informação é do diretor de planejamento da
BHTrans, Célio Freitas, que acompanhou ontem o primeiro dia de circulação do
BRT/Move na Cristiano Machado. "Dependendo do desempenho aqui, podemos pôr o
BRT para rodar na Antônio Carlos até antes de abril”, diz. Até lá, o diretor
informa que mais linhas estarão implantadas na Cristiano Machado, que conta com
três itinerários do novo sistema. Uma delas sairá da Estação São Gabriel, na
Região Nordeste, e vai até o BH Shopping, no Bairro Belvedere, na Região
Centro-Sul.
Estação São Gabriel
exige atenção de passageiros
Na primeira fase de implantação do BRT/Move no corredor
Cristiano Machado, a Estação São Gabriel, terminal chave para a operação do
sistema, segue em obras. Os passageiros devem ficar atentos para o
funcionamento, que estará dividido entre a parte antiga e o setor novo,
parcialmente inaugurado ontem. Das 23h até às 5h, todo o sistema vai operar na
parte velha, que fica próxima do metrô. Essa norma inclui os horários dos
ônibus articulados entre 23h e 0h e também das 4h às 5h. Nos demais horários,
todas as saídas/chegadas ocorrem pela parte nova. Segundo a BHTrans, a razão da
alternância é a continuação das obras de cobertura do terminal, que acontecem
no período noturno.
Basicamente, a estação possui três linhas de catracas. Uma
delas é destinada a quem quer seguir direto para o BRT e tem que pagar R$ 2,65.
A segunda foi feita para aqueles que querem pegar uma das 26 linhas
alimentadoras convencionais e custa R$ 1,90. A terceira é pensada para quem
pretende ir até a São Gabriel usando uma linha alimentadora e depois seguir
para o Centro ou Savassi usando o BRT. Nesse caso, o custo é de R$ 0,75,
totalizando R$ 2,65. A integração com o metrô só é aceita nos cartões BHBus e
varia de acordo com o tipo de ônibus escolhido. Se a passagem do metrô for
comprada com dinheiro, para acessar o BRT o passageiro não tem direito à tarifa
reduzida de 1,75 e tem que pagar mais R$ 2,65.
Hoje a única linha do BRT que vai circular é a 83P (Estação São Gabriel/Centro-Paradora). As linhas 83 D (Estação São Gabriel/Centro-Direta) e 82 (Estação São Gabriel Savassi Via Hospitais) não rodam aos domingos e feriados.
Passageiros apontam
vantagens e problemas do BRT/Move
Usuários consideram que só amanhã, quando ônibus circularão em dia
útil, será possível avaliar melhor a agilidade do sistema
Entre otimismo e desconfiança, passageiros do sistema de
transporte coletivo de Belo Horizonte testaram ontem, pela primeira vez, o
BRT/Move do corredor Cristiano Machado e avaliam se, amanhã, dia de trânsito
pesado, embarcarão de vez nessa viagem. Na balança dos contras, pesaram
problemas na Estação São Gabriel. Sem sinalização adequada, usuários ficaram
perdidos entre os corredores. A chuva também complicou a situação, pois a
cobertura do terminal e das passarelas ainda não foi concluída. O desconforto se
estendeu à falta de bancos nas plataformas de embarque.
Muitos dos usuários aproveitaram o sábado livre para se
inteirar sobre o funcionamento e passear nos ônibus sem compromisso. "Achei
ótima a novidade e o percurso muito confortável. Mas faltam muitas informações.
Não tem placa explicando com clareza. Foi por isso que resolvi fazer um teste
hoje (ontem), já que segunda-feira não posso correr o risco de errar”, disse a
técnica em saúde bucal Ana Cristina Valadares Moreira, 36 anos, que gasta 1h40
todos os dias do Bairro Floramar, Norte de BH, até Nova Lima, na Grande BH. Ela
acredita que vai conseguir ganhar 20 minutos se usar o BRT diariamente.
A falta de sinalização das estações deram dose extra de tensão à estreia do
BRT/Move, sobretudo na Estação São Gabriel. A principal reclamação é de que
todos ônibus, inclusive os convencionais, deixaram o antigo terminal, mais
próximo do metrô, sendo transferidos para nova ala, mais distante. "Antes eu
descia do ônibus e já pulava para o metrô. Agora, ficou muito longe. Tenho que
andar de 7 a 10 minutos”, diz a vendedora Verônica Cristina, 27. Outro problema
que dificultou o deslocamento para o metrô foi a chuva. A água empoçou na
passarela e na área de manobra dos ônibus, incomodando usuários e motoristas.
O técnico em transporte e trânsito Bruno Santos, 35, mora
perto da estação e resolveu mudar o trajeto para avaliar o novo sistema.
Normalmente, aos sábados ele vai ao centro estudar e pega um ônibus que passa
perto de sua casa. "Acho que temos que esperar segunda-feira para ver como vai
funcionar com o trânsito”, disse. Ele diz ter dúvidas sobre o impacto do BRT
por conta de locais sem faixas exclusivas.
AR-CONDICIONADO
Por sua vez, a cabeleireira e manicure Kelly Juliana
Oliveira, 29, acredita que o BRT pode até substituir o metrô, já que ela pega
um ônibus para a São Gabriel, de lá embarca pelos trilhos e ainda pega outra
condução do Centro até o Bairro Luxemburgo, Centro-Sul da capital. "De cara o
BRT/Move já ganhou do metrô por conta do ar-condicionado. Normalmente, gasto de
18 a 20 minutos só nos vagões entre as estações São Gabriel e Praça da Estação.
Imagino que vou conseguir gastar o mesmo tempo no BRT, o que pode significar
uma migração”, afirma.
Moradora do Bairro Novo Aarão Reis, na Região Norte, a empregada
doméstica Railda da Silva, de 55, trabalha no Bairro União, na Região Nordeste,
e também está disposta a trocar o metrô pelo novo sistema. "Vou descer numa
estação mais perto e o BRT é muito mais confortável”, diz. O açougueiro
Roberval Tido de Lima, de 42, era só sorrisos com o filho Victor Hugo, de 10.
Eles moram em Venda Nova e o menino faz fisioterapia no Centro da cidade. A
família será atendida pelo BRT/Move da Avenida Pedro I, que só será inaugurado
em maio, mas aproveitaram o sábado para já conhecer a novidade. "Viemos
passear. Estou vendo que é bem estruturado”, diz.
Alguns passageiros reclamaram da demora no atendimento de
uma das bilheterias da Estação São Gabriel, onde apenas uma funcionária
trabalhou em pelo menos parte da tarde. "Há apenas uma funcionária na
bilheteria (da Estação São Gabriel). Demorei uns quatro minutos para ser
atendida”, contou a técnica em enfermagem Jaqueline Lorenço. Na Avenida Paraná,
usuários estranharam a localização da bilheteria da estação, que fica a cerca de
50 metros do local, na Rua Carijós. Na linha que faz a ligação entre área
hospitalar e a Estação São Gabriel, o sistema de anúncio das paradas, sonoro e
em tela, do veículo número 20.477 não funcionou.
Tudo novo para
motoristas
O relógio marcava 13h07 quando Ademar Ferreira Lopes, um
baiano de Teixeira de Freitas e radicado em Belo Horizonte há três décadas,
ligou o ônibus da linha 83P, que faz o percurso estação São Gabriel/Avenida
Paraná. Há 21 anos como motorista de coletivo, ele conhece o trânsito da
capital como poucas pessoas: "É preciso ter paciência”. Foi na companhia dele
que o Estado de Minas embarcou numa das viagens do primeiro dia de operação do
BRT. O condutor elogiou o sistema, mas apontou locais que precisam de maior
atenção das autoridades de trânsito.
Ainda na São Gabriel, Ademar faz questão de contar o quanto
está feliz. Pudera: deixou de ser um dos motoristas de uma linha convencional
para guiar um veículo do novo sistema de transporte público. Ele próprio resume
algumas diferenças: "Este tem ar-condicionado e é hidramático, ou seja, não
carece de marchas. É mais confortável”. Outro benefício foi fugir do trânsito
caótico da Avenida Cristiano Machado: a via tem uma pista exclusiva para o BRT.
Ademar faz questão de chamar atenção para o silêncio do
motor do veículo. E explica como ele procede nas paradas: "Há uma faixa preta
em cada estação. Tenho que ficar ao lado dela para que as portas do ônibus
fiquem lado a lado com as das estações”. Durante a viagem, ele estaciona em 12
estações, incluindo as de partida e chegada. Foi logo depois da São Judas
Tadeu, próximo à Avenida José Cândido da Silveira, que o motorista precisou
estrear a buzina.
O motivo foi uma moça que atravessou a pista exclusiva do
BRT sem olhar para as laterais. "Temos de ter cuidado, pois o pedestre ainda
não se acostumou com o novo sistema, pois esse trecho estava em obra (até
poucas semanas).” Na verdade, operários ainda trabalham no local. Ontem, por
exemplo, alguns colocaram gradis às margens da avenida para forçar pedestres a
usarem as passarelas.
Nem todas, porém, foram erguidas, como mostram algumas
estruturas de aço debaixo do Viaduto Murilo Rubião, no Bairro Cidade Nova.
Menos de dois quilômetros adiante, a pista exclusiva é cortada pela Rua Jacuí,
uma das mais extensas da capital e onde o motorista precisou parar o veículo,
embora a luz do semáforo estivesse na cor verde. "Muitos condutores fecham o
cruzamento. É preciso ter um agente de trânsito aqui”, sugeriu.
A viagem começara 20 minutos antes. A passagem por debaixo
da montanha representa o fim da pista exclusiva para o BRT. Depois do túnel, o
83P "disputa” com carros, motos e outros veículos espaço no complexo de
viadutos da Lagoinha. Às 13h27, no elevado que termina na Avenida do Contorno
com Rua Rio de Janeiro, uma retenção obrigou Ademar a pisar no freio novamente.
Havia grande quantidade de veículos: "Acho que a prefeitura, na segunda-feira,
irá colocar uns cones aqui para privilegiar o fluxo do BRT”. Já no Centro,
ônibus voltou a parar em razão de um cruzamento fechado, na esquina da Santos
Dumont com a São Paulo. Às 13h34 (27 minutos depois da partida), Ademar
estacionou o coletivo na última estação. Despediu-se de alguns passageiros e
cumprimentou os que embarcavam.
Dificuldades Como Ademar, outros motoristas elogiaram os
ônibus mais modernos, mas relataram que uma das principais dificuldades no
primeiro dia do BRT/Move foi entender a dinâmica da Estação São Gabriel. A
falta de informações sobre entrada e saída na estação motivou, inclusive, um
desarranjo na partida dos dois primeiros veículos, que deveriam ter saído da
parte velha da estação, mas acabaram partindo pela área nova.
Alheio à dinâmica pensada pela BHTrans para a primeira viagem da história do Move em BH, que deveria partir da parte velha da São Gabriel, Valdivino Rodrigues, 29, deixou a garagem da Viação Getúlio Vargas às 3h50 para fazer o itinerário das 4h20 da São Gabriel à Savassi. "Ninguém explicou como seria essa entrada na estação. Saí pela parte nova”, diz ele. No trajeto, só elogios. "Basta um pouco mais de prática que todos estarão muito bem”, avalia.
Famílias aproveitam
domingo para passear no BRT/Move
O segundo dia de operações do BRT/Move foi marcado pela
tranquilidade. Com apenas uma linha circulando neste domingo – a 83 P, que faz
o trajeto entre a Estação São Gabriel e a Estação Central , parando em oito
estações da Avenida Cristiano Machado -, a maioria dos passageiros era formada
por curiosos que queriam conhecer o novo meio de transporte de Belo Horizonte.
Na Estação São Gabriel, famílias aproveitaram o sol da manhã
para passear no veículo, que saía em intervalos de 15 a 20 minutos. O
aposentado José Alves Filho, de 67 anos, saiu do Bairro Carlos Prates, Região
Noroeste de BH, para viajar no ônibus. "Aproveitei que é domingo e a cidade
está mais vazia. Estou achando formidável”, comenta.
No sábado, quando os ônibus passaram pelas ruas da capital
pela primeira vez, houve problemas e falta de informação para os usuários.
Algumas pessoas reclamaram da falta de sinalização das estações, pontos de
ônibus e também relataram que alguns coletivos trafegaram com as portas
abertas. Apesar das falhas, os passageiros elogiaram o conforto do veículo. No
balanço da BHTrans, 15 mil pessoas embarcaram nas três linhas do sistema das 5h
às 16h de sábado.
Apesar das reclamações dos usuários, o prefeito Márcio Lacerda disse em entrevista coletiva ontem ter ficado satisfeito com o primeiro dia de operação do Move e disse que, já na segunda-feira, haverá reforço do número de funcionários da BHTrans nos terminais para garantir que os passageiros realizem as viagens sem transtornos.