Um vagão da Linha 3-Vermelha descarrilou às 11h53 de ontem,
paralisou uma composição que chegava à Estação Palmeiras-Barra Funda e afetou
os três ramais mais importantes do Metrô de São Paulo por quase nove horas. Passageiros
enfrentaram filas de mais de 100 metros só para passar pelas catracas. Além da
3-Vermelha, as Linhas 1-Azul e 2-Verde tiveram de funcionar com velocidade
reduzida.
A composição só foi retirada do local do acidente às 20h35. Até
então, ela bloqueava um dos trilhos entre as Estações Marechal Deodoro e Barra
Funda. Parte do terceiro trilho (estrutura que distribui energia elétrica aos
trens) ficou destruída pelo descarrilamento. Os trens nos dois sentidos tiveram
de revezar uma única via entre a Barra Funda e a Santa Cecília.
O acidente não deixou feridos. Segundo o Metrô, o problema foi em um jogo de rodas do carro 5 da composição que estava prestes a chegar na estação final. Passageiros tiveram de ser retirados pela passarela de emergência pelos funcionários da companhia.
À tarde, a companhia recomendou que usuários não pegassem a
linha para voltar para casa. Como alternativa, a indicação era usar as linhas da
Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Quem não tinha outra opção
teve de ter paciência. A reportagem do Estado entrou na fila na Barra Funda e
passou 21 minutos só para chegar até a catraca. "Faz mais de meia hora que
estou na fila e a catraca ainda está longe. Isso aqui quebra mais do que linha de
agulha”, reclamou o operador Heldon Freire, de 40 anos,às 18h, na Estação Barra
Funda.
Nas plataformas lotadas era preciso aguardar ainda mais até se
conseguir entrar em um trem. Quando as composições chegavam e abriam as portas,
os usuários entravam nos vagões antes de os outros passageiros saírem.
Em algumas estações, como na Santa Cecília, funcionários chegaram
a bloquear a entrada para contenção de fluxo (para evitar aglomerações nas
plataformas) e as filas se estenderam para o lado de fora.
"Do Carrão até a Barra Funda demorou uma hora e meia”, disse
o lavador de carros Fernando Gregório, de 19 anos. "E estava tão lotado que
toda vez que parava tinha de sair para respirar.”
O analista Rodrigo Almeida, de 23 anos, passou uma hora e meia
esperando pela namorada na Barra Funda. "Ela me ligou duas vezes já e disse que
está um inferno.”
O Metrô colocou cartazes e fez avisos sonoros sobre o
problema, com indicação de alternativas. Muitos passageiros, porém, reclamavam
da falta de informações sobre as dimensões do problema e a previsão para a normalização
do fluxo. As únicas linhas que não foram afetadas forama4-Amarelae5-Lilás.
30 dias. Nas redes sociais, usuários criticaram o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e lembraram a investigação do cartel nos trens. A companhia "instaurou sindicância interna, com prazo de até 30 dias, para apurar as causas do acidente”.
Na sexta-feira, o último vagão de um trem da Linha 7-Rubi, da CPTM, descarrilou entre as Estações Piqueri e Pirituba, na zona norte. Ninguém ficou ferido. Na ocasião, por causa do acidente, a rede elétrica foi prejudicada e a circulação entre as Estações Luz e Jaraguá precisou ser interrompida.
Folha de SP
Trem descarrila, afeta metrô por 9 horas e
agrava filas
Acidente raro na linha 3-vermelha
leva a bloqueio em estações e trava sistema. Composição que saiu dos trilhos na
Barra Funda por causa de quebra em jogo de rodas havia sido reformada
Um descarrilamento raro na história do Metrô de São Paulo
atingiu ontem a linha mais movimentada da rede, restringindo os serviços por
mais de nove horas e levando até ao fechamento de estações para evitar a
superlotação das plataformas.
O acidente na linha 3-vermelha ocorreu por volta das 12h,
com a quebra no jogo de rodas de uma composição reformada em 2011, segundo
informações do Metrô. Não houve feridos, mas os passageiros tiveram que usar a
plataforma de emergência.
Uma das vias entre as estações Santa Cecília e Barra Funda
ficou totalmente parada por mais de nove horas.
O Metrô chegou a soltar alertas para que a população
evitasse a linha 3, que transporta mais de 1,1 milhão de usuários/dia. No
começo da noite, havia filas de mais de cem metros para embarcar.
À tarde, as catracas de algumas estações da linha 3 foram
fechadas, para evitar superlotação das plataformas.
Segundo usuários, trens demoravam até 20 minutos para
passar. Houve reflexos nas demais linhas que fazem interligação com a vermelha.
"Estou até assustada, em geral esse horário é
sossegado", disse Priscila Laiza, que trabalha no centro e se tentava
acesso ao metrô às 15h.
A assessoria de imprensa do Metrô diz não ter registros de
descarrilamento em operação comercial (ou seja, com passageiros sendo
transportados) nos últimos anos.
Houve um caso semelhante em 1999, na linha 1-azul, também
sem feridos.
Já na rede da CPTM, que tem um sistema mais antigo, houve ao
menos seis casos desde janeiro de 2012.
O número de panes do Metrô de São Paulo aumentou nos últimos
anos. Os casos que provocam paralisação por mais de cinco minutos saltaram de
28, em 2010, para 66, em 2012. Já na CPTM os casos mais graves caíram de 49 para
28 nesse período.
SINDICÂNCIA
O descarrilamento de ontem ocorreu a 300 metros da
plataforma da estação Barra Funda. O trem se aproximava para desembarcar
usuários. A falha ocorreu no quinto vagão --de um total de seis.
A companhia abriu sindicância para apurar as causas no prazo
de 30 dias.
Segundo especialistas, a maior preocupação são as
consequências do acidente. Como o descarrilamento afetou o chamado terceiro
trilho, que a faz a alimentação de energia do sistema, a pane se arrastou
durante todo o dia.
Segundo o professor Telmo Porto, da Escola Politécnica da
USP, que também trabalha no setor privado, a baixa velocidade do trem, que se
aproximava da estação, contribuiu para que não houvesse feridos no episódio.
De acordo com ele, o descarrilamento não deve deixar a
população preocupada. "O Metrô daqui é um dos mais seguros do mundo."
O especialista não descarta ter havido um problema na via para provocar o acidente.