07/11/2013 05:55 - O Globo
Leia: IBGE:
consumo de TV e geladeira aproxima favela do resto da cidade, mas exclusão
digital se mantém
Maior parte das favelas brasileiras é plana
RIO - O Rio é uma das cidades brasileiras em que,
percentualmente, os moradores das favelas perdem menos tempo no deslocamento
para o trabalho em relação a quem vive fora das comunidades. O mesmo ocorre em
outras capitais como Vitória (ES), Belém (PA) e Salvador (BA). Mas, de uma
forma geral, o tempo de deslocamento para o emprego não varia muito entre as
pessoas que moram nas favelas e em outras áreas da cidade, quando levada em
consideração a comparação em todo o país. Os dados inéditos fazem parte de
levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE),
divulgado nesta quarta-feira, com informações colhidas no Censo 2010.
![]() |
A pesquisa "Aglomerados subnormais - Informações
territoriais” mostra que, no Brasil, 19% das pessoas que viviam fora das
comunidades levavam mais de uma hora no deslocamento casa-trabalho. Para quem
vivia na favela, esse percentual era de 19,7%.
Aglomerados subnormais é como o IBGE chama um conjunto constituído
de, no mínimo, 51 unidades habitacionais (barracos ou casas), carente de
serviços públicos essenciais, que ocupe ou tenha ocupado terreno de propriedade
alheia, e disposto, em geral, de forma desordenada.
Na capital fluminense, 21,87% dos que vivem nas comunidades
levam mais de uma hora no deslocamento para o trabalho. O percentual é de
26,31% para quem vive fora delas. Essa é uma tendência que ocorre na maioria
das cidades do estado analisadas pelo IBGE: Niterói, Duque de Caxias,
Petrópolis, Campos, Araruama, Cabo Frio, Macaé, Teresópolis e Volta Redonda.
Apenas em São João de Meriti, Angra, Magé e Belford Roxo, os moradores do
asfalto levam menos tempo para chegar ao trabalho do que os que vivem na
favela.
Em São Paulo, esse fenômeno não acontece. Na capital
paulista, 37,4% dos moradores das favelas levam mais de uma hora no
deslocamento casa-trabalho. No caso de quem vive fora das comunidades, o
percentual é de 30,32%.
A explicação para que Rio e São Paulo tenham situações
inversas está no processo de formação das cidades.
- No Rio de Janeiro, a ocupação dos aglomerados subnormais
aproveitou a existência dos morros, encravados nos bairros, e os dados sobre o
tempo de deslocamento estão refletindo isso - afirmou Maurício Gonçalves e
Silva, pesquisador da Coordenação de Geografia do IBGE. - São Paulo teve uma
ocupação mais na periferia do que salpicada no tecido urbano.
Para fazer comparações dessa natureza, entre favela e outras
áreas, o IBGE usou amostras do Censo. Os números permitiram fazer as análises
levando em conta 89 municípios. Ao todo, em 54 cidades, os moradores das
favelas levam mais tempo para se deslocar para o trabalho do que os que vivem
fora das comunidades. Em 35 municípios, a situação é inversa.
Em 2010, o Brasil tinha 6.329 favelas identificadas, onde havia 3,2 milhões de domicílios.