Motoristas de van escolar protestam contra padronização da frota em SP

17/07/2015 08:00 - Folha de SP Online / G1 MG / G1 CE / G1 SP

Donos de vans que fazem transporte escolar protestam nesta sexta-feira (17) contra a padronização da frota por conta da lei da cadeirinha e a favor da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Os transportadores escolares afirmam que não são contra a cadeirinha, mas a favor da segurança. Decisão do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) obriga que o transporte de crianças nesse tipo de veículo seja feito com cadeirinhas. O Contran estabeleceu a data de vigência da norma para a volta às aulas em 1º de fevereiro de 2016.

Segundo o DataSUS (banco de informações do Sistema Único de Saúde), a terceira causa de morte violenta de crianças com menos de nove anos de idade no Brasil é o acidente de trânsito durante seu transporte, que representa 2,5% do total de fatalidades.

Por volta das 6h30, diversos grupos de motoristas partiram de pontos distintos da cidade em direção à praça Charles Miller, no Pacaembu. De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), por volta das 7h30, os motoristas de van escolares ocupavam as avenidas Aricanduva, próximo à avenida Itaquera, e duas faixas centrais da Radial Leste, sentido centro, na zona leste de São Paulo.

Na zona norte, o protesto passa pela avenida Raimundo Pereira de Magalhães, ocupando a faixa da direita em direção ao centro. Os motoristas também trafegam pela avenida Interlagos, na zona sul, e um grupo vindo da Castello Branco também ocupa as marginais.

Apesar do protesto, a CET informou que o trânsito está abaixo da média na cidade. Por volta das 7h30, a cidade tinha 31 km de lentidão –o que corresponde a 3,6% dos 868 km de vias monitoradas. O índice está bem abaixo do mínimo para o horário, que é de 6,6%. Segundo a companhia, o pior congestionamento se encontra na pista pista expressa da marginal Tietê, onde um caminhão ficou preso sob a ponte do Piqueri. No local, há 5,4 km de morosidade.

LEI DA CADEIRINHA

A obrigatoriedade da cadeirinha foi decidida no dia 17 de junho em reunião do Conselho Nacional de Trânsito. A regra, que já valia para os carros de passeio desde 2010, prevê que as empresas de transporte escolar adotem diferentes tipos de dispositivos de segurança, de acordo com a faixa etária dos alunos.

Assim, crianças de até um ano deverão ser transportadas em bebê-conforto; de um a quatro anos, em cadeirinhas com encosto e cinco próprio; de quatro a sete anos e meio, assentos de elevação conhecidos como "booster".

O Ministério das Cidades não disse a partir de quando ela entra em vigor nem se haverá prazo para adaptação. A multa por descumprimento é de R$ 191,54.

Para Luiz Carlos Mantovani Néspoli, superintendente da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos), a nova regra favorece a segurança e atende recomendações técnicas.

"A criança não tem a menor condição de se precaver em um acidente. Sua vulnerabilidade é maior, então a cadeirinha é muito positiva do ponto de vista da segurança. Aquilo que é necessário no automóvel por que não seria no transporte escolar?", questiona.

De acordo com a ONG Criança Segura, em média cinco crianças de até 15 anos morrem por dia em acidentes de trânsito no país. O trânsito é a principal causa de morte acidental nessa faixa etária, responsável por 40% dos casos.

Por volta das 6h, diversos grupos de motoristas partiram de pontos distintos da cidade em direção à praça Charles Miller, no Pacaembu, onde se encontraram por volta das 10h. De lá, parte dos motoristas foi para Câmara Municipal, na rua Maria Paula (centro), de onde dispersou por volta das 13h30.

Durante o período da manhã, o protesto afetou as principais vias de São Paulo, como Radial Leste, avenida Aricanduva, avenida Cupecê, avenida Interlagos, corredor norte-sul. De acordo com a companhia, no entanto, não houve registro de congestionamento acima da média.

Os transportadores escolares argumentam que, por atender crianças de várias idades, não haveria espaço nos veículos para guardar as cadeirinhas quando elas não estão em uso. Previam ainda aumento de custo dos serviços.

Segundo a categoria, existem vários empecilhos que dificultam a implantação da medida. Um deles é o fato de os veículos saírem de fábrica com cinto de dois pontos, e não de três.

"Seria preciso dar um prazo para o setor poder comprar novos veículos que já saíssem de fábrica com esse cinto de três pontos", diz Hélio Menezes, presidente da Artesul (Associação Regional de Transporte Escolar de São Paulo).

Hélio diz que os motoristas de van escolar também querem benefícios concedidos a taxistas, como a permissão para trafegar no corredor de ônibus em determinados horários e desconto para trocar de carro.

Paralelamente à carreata, circula na internet um abaixo-assinado pedindo a revogação da lei da cadeirinha, que os obriga a usar cadeirinhas para crianças de até sete anos e meio.

G1, em São Paulo

Contran regulamenta exigência de cadeirinhas no transporte escolar

O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou nesta sexta-feira (17) no Diário Oficial da União a regulamentação da exigência de cadeirinhas em veículos de transporte escolar a partir de 1º de fevereiro de 2016.

A medida provoca protestos de profissionais do setor desde que foi anunciada em junho. Grupos de vans espalhados pela capital paulista tomaram parte de importantes avenidas da capital paulista hoje. Os motoristas também pedem isenção de IPI e ICMS.

Desde 2010, a lei obriga que crianças de até 1 ano sejam transportadas no bebê-conforto. As que têm entre 1 e 4 anos, em cadeirinhas com encosto e cinto próprio.

Os assentos de elevação, que utilizam cinto de segurança que ficam na altura do pescoço da criança, devem ser usados para menores de 4 a 7 anos.

Até então, a regra valia para carros de passeio, e não para transporte coletivo, como vans e ônibus, de aluguel, escolar, táxis e os demais com peso bruto superior a 3,5 t.

Há cerca de um mês, o Contran publicou uma resolução que retirava o transporte escolar do grupo de veículos que fica desobrigado do uso dos dispositivos de retenção.

 Nesta sexta-feira, a resolução 541 acrescentou um parágrafo ao texto que regulamenta as cadeirinhas, com validade a partir de 1º de fevereiro de 2016.

"Todo veículo utilizado no transporte escolar, independentemente de sua classificação, categoria e do peso bruto total - PBT do veículo, deverá utilizar o dispositivo de retenção adequado para o transporte de crianças com até sete anos e meio de idade", informa o Contran.

 

Continuarão desobrigados de oferecer cadeirinha vans e ônibus que não sejam de transporte escolar e táxis.

G1 - MG

Motoristas de vans do Triângulo manifestam contra padronização

Motoristas de vans escolares de cidades do Triângulo Mineiro foram para as ruas na manhã desta sexta-feira (17) em manifestação contra uma resolução que está sendo elaborada pela Câmara dos Deputados que pode determinar a padronização da frota de veículos. Em Uberlândia, aproximadamente 250 profissionais fazem parte da carreata. Motoristas de Uberaba também fazem carreata contra a exigência do uso de cadeirinhas para crianças em veículos de transporte escolar a partir de 1º de fevereiro de 2016. A manifestação acontece simultaneamente em vários estados do país.

Segundo o motorista e um dos organizadores do movimento em Uberlândia, Marcos Guimarães Defensor, a categoria teme que a padronização do transporte escolar possa trazer prejuízos. Querem padronizar em micro-ônibus, um veículo que custa de R$ 180 a R$ 250 mil. A maioria de nós não teria condição de comprá-lo. Reduziria muito o número de motoristas e, também, teríamos que triplicar o valor da mensalidade, pontuou.

Os motoristas se concentraram no estacionamento do Estádio Parque do Sabiá, no Bairro Santa Mônica, a partir das 7h e vão finalizar a carreata em frente a Prefeitura Municipal. Por volta das 8h40 eles saíram pela Avenida Anselmo Alves dos Santos e vão passar pela João Naves de Ávila até chegar Rua Itumbiara. Depois, o grupo segue pela Avenida Floriano Peixoto e Cesário Alvim, no Centro, até chegar ao Centro Administrativo.

Agentes da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settran) acompanham a carreata. Segundo o assessor de Operações de Tráfego, Onei Silvério do Amaral, há quatro motos e uma viatura fazendo o fechamento das vias. "Orientamos a passarem pela via da direita, a fim de evitar congestionamentos no trânsito. Estimo que tenham 300 vans", disse.

Ainda de acordo com Marcos, é pedido que seja ampliado o diálogo sobre o assunto com a categoria. A gente sabe que depois de aprovada pelo Contran [Conselho Nacional de Trânsito], a resolução será imediata e precisamos nos programar para isso. Queremos ser ouvidos.

A motorista Marleide Arrais participa do movimento e é contra a padronização. Minha van iria para o lixo e vamos ficar quase todos desempregados. Os novos veículos são caros e não tem demanda o suficiente. Se essa resolução entrar em vigor, não sei o que vou fazer, desabafou.

Os motoristas da Cooperativa dos Transportadores de Passageiros e Cargas de Uberlândia (Coopass) também aderiram ao movimento nacional.

Maria Goretti Elias, do Sindicato dos Transportadores de Vans Escolares, disse para a produção do MGTV que cerca de 300 motoristas de Uberaba devem participar da carreata nesta manhã (17). A categoria é contra a padronização e a exigência do Contran quanto ao uso de cadeirinhas em veículos de transporte escolar a partir de 1º de fevereiro de 2016.

A medida obriga que crianças de até um ano sejam transportadas no bebê-conforto. As que têm entre um e quatro anos, em cadeirinhas com encosto e cinto próprio.

 

A concentração em Uberaba ocorreu na Univerdecidade. Os motoristas finalizarão o trajeto na Avenida Djalma Castro Alves.

G1 Ceará

Motoristas de vans escolares do CE protestam contra uso de cadeirinhas

Donos de transportes escolares de Fortaleza se reuniram na manhã desta sexta-feira (17), em frente a sede do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE), no Bairro Maraponga, em Fortaleza, para protestar contra a obrigatoriedade do uso da cadeirinha para bebês nas vans. O Conselho Nacional de Trânsito (Contran) publicou, nesta sexta-feira (17), no Diário Oficial da União, a regulamentação da exigência de cadeirinhas nos veículos de transporte escolar a partir de 1º de fevereiro de 2016.

A medida provoca protestos de profissionais do setor desde que foi anunciada em junho. Em protesto, cerca de 200 carros se concentraram em frente à Assembleia Legislativa, no Bairro Dionísio Torres e depois seguiram para a sede do Detran-Ce.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Escolares do Ceará, Roberto Monteiro, a obrigatoriedade é equivocada, pois os veículos não possuem estrutura para receber as cadeirinhas.

"Na realidade já existe a Resolução 533, no Contran, que nos obriga a usar as cadeirinhas. São as três. A do bebê conforto, a cadeira propriamente dita, e a banco de elevação. Só que os próprios fabricantes já falaram para o Contran que os tipos de bancos que existem nos veículos não condiz com a natureza da segurança. Somos a favor da segurança, mas com responsabilidade”, afirmou.

Ainda de acordo com Roberto Monteiro os cintos de segurança existentes nas vans não fixam corretamente as cadeirinhas. "Não tem três pontas, só tem duas. São subabdominais eles não não fixam com precisão os bancos as cadeirinhas que vão ser incorporadas neles”

O Contran informou que a adaptação vai ser gradativa, discutida com os agentes envolvidos e regulamentada por meio de portaria.

Segurança das crianças

Desde 2010, a lei obriga que crianças de até 1 ano sejam transportadas no bebê-conforto em automóveis de passeio. As que têm entre 1 e 4 anos, em cadeirinhas com encosto e cinto próprio.  Os assentos de elevação, que utilizam cinto de segurança que ficam na altura do pescoço da criança, devem ser usados para menores de 4 a 7 anos.

Até então, a regra valia para carros de passeio, e não para transporte coletivo, como vans e ônibus, de aluguel, escolar, táxis e os demais com peso bruto superior a 3,5 t. Há cerca de um mês, o Contran publicou uma resolução que retirava o transporte escolar do grupo de veículos que fica desobrigado do uso dos dispositivos de retenção.

Nesta sexta-feira, a resolução 541 acrescentou um parágrafo ao texto que regulamenta as cadeirinhas, com validade a partir de 1º de fevereiro de 2016. "Todo veículo utilizado no transporte escolar, independentemente de sua classificação, categoria e do peso bruto total - PBT do veículo, deverá utilizar o dispositivo de retenção adequado para o transporte de crianças com até sete anos e meio de idade", informa o Contran.

 

Caso não se adequem até a data limite, veículos escolares sem as cadeirinhas cometerão infrações consideradas gravíssimas, com pena de multa de R$ 191,54, 7 pontos na habilitação e retenção do veículo. Continuam desobrigados a oferecer cadeirinha vans e ônibus que não sejam de transporte escolar e táxis.