28/11/2013 09:00 - Folha de SP
Enquanto a cidade de São Paulo ganhou 270 km de faixas
exclusivas que aceleraram os ônibus que passam por elas, nos antigos corredores
a velocidade dos coletivos continua mais baixa que a de um corredor da São
Silvestre.
Vistas como paliativo para melhorar a fluidez dos ônibus, as
faixas à direita tiveram sua implantação acelerada por Fernando Haddad (PT)
após os protestos de junho.
Pelo último balanço divulgado, a velocidade média dos ônibus
nessas vias subiu de 13,8 km/h para 20,4 km/h --um ganho de quase 50%.
Já os corredores ficam à esquerda justamente para terem
melhor desempenho e menos interferências, evitando as conversões dos carros.
Não é à toa também que são mais caros de construir e que são posicionados nos
principais eixos viários --como Rebouças e Nove de Julho.
Mas a velocidade dos ônibus nos noves corredores existentes,
que totalizam 130 km, se limitou a 13,5 km/h no primeiro semestre --contra 14,5
km/h no mesmo período do ano passado, sob a gestão Gilberto Kassab (PSD).
No últimos meses, a prefeitura adotou nova metodologia de
medição, que diz ser mais precisa. Mesmo assim, a velocidade se limitou a 16,6
km/h em agosto e setembro --últimos dados disponibilizados.
Ou seja, em qualquer dos casos, muito aquém da velocidade adequada de 25 km/h.
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A prefeitura reconhece as distorções e promete uma
reestruturação a partir de 2014.
A baixa velocidade nos corredores reforça a preocupação de
técnicos devido à degradação de pistas que deveriam ser a solução mais
eficiente.
Implantados entre 1980 e 2004, os corredores da cidade foram
acumulando gargalos nos últimos anos que derrubaram seu potencial.
"Estão saturados. Chegam a ter 300 ônibus por hora. Já
as faixas estão vazias. Na da av. Sumaré, por exemplo, são cerca de 30. É por
isso que os ônibus estão mais rápidos nelas", diz Sergio Ejzenberg, mestre
em transportes pela USP.
"Na av. Ibirapuera as filas formam um paredão de ônibus
nos [horários de] picos. Outro problema são as paradas, mais lotadas nos
corredores. Quanto mais gente, mais demora para embarcar. A solução seria
cobrar a tarifa antes [do embarque]", afirma Luiz Carlos Mantovani
Néspoli, da Associação Nacional de Transportes Públicos.
Os especialistas citam outros fatores que interferem na velocidade dos corredores, como a presença de outros veículos (como táxis com passageiros, vetados nas novas faixas à direita) e semáforos.
Situação dos
corredores é 'absurda', mas só muda em 2014, diz secretário
O secretário de Transportes, Jilmar Tatto, diz que a
prefeitura faz estudos sobre o desempenho dos corredores de ônibus para que os
ganhos de velocidade não fiquem restritos às faixas exclusivas.
"Temos preocupação de aumentar a velocidade também nos
corredores, porque é um absurdo o corredor andar menos que a faixa
exclusiva."
O discurso é o mesmo adotado desde o início da gestão. Tatto
diz que as mudanças ainda não ocorreram porque dependem de estudos. Ficarão
para o ano que vem.
O plano é reduzir o número de linhas --e, assim, diminuir a
quantidade de ônibus nos corredores--, alterar itinerários e promover reformas
no piso e nas paradas.
O primeiro corredor a sofrer intervenção será o
Pirituba-Lapa, que passa por avenidas como Edgar Facó e Francisco Matarazzo e é
um dos mais lentos e superlotados.
Deve perder 70% das linhas. Segundo a prefeitura, as ações
nesse corredor servirão como modelo para os demais.
A redução de linhas implica em mais baldeações, o que pode
trazer complicações. Foi o que ocorreu na zona leste, no mês passado, quando a
prefeitura alterou 43 linhas.
Apesar da promessa de ganho de tempo, muitos passageiros
reclamaram.
Outra situação estudada é a restrição ou até a proibição dos
táxis nos corredores. Após pedido da Promotoria, técnicos municipais passaram a
apurar o grau de interferência causada pelos táxis.
Também estão sendo testadas formas de pagamento antecipado,
para reduzir o tempo de embarque.
Além da reforma dos existentes, a gestão Fernando Haddad
(PT) promete iniciar em 2014 a construção de 150 km de novos corredores. Parte
deles em vias que já receberam faixas, como na avenida 23 de Maio.
Neste ano, apesar do anúncio da liberação de R$ 3,1 bilhões para mobilidade, foram iniciadas só duas obras --cujas licitações são da gestão passada. "[As obras] vão começar em breve", disse Tatto, sem citar um prazo específico.