11/08/2023 08:00 - Diário do Transporte
ARTHUR FERRARI
Uma pesquisa inédita realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) trouxe informações valiosas sobre as atitudes dos brasileiros em relação ao transporte público e à mobilidade urbana nas grandes cidades do país. O estudo, conduzido pelo Instituto Pesquisa de Reputação e Imagem (IPRI), ou Instituto FSB Pesquisa, ouviu 2.019 pessoas da população economicamente ativa (PEA) com idade a partir de 16 anos em cidades com mais de 250 mil habitantes nas 27 unidades da Federação, entre 1º e 5 de abril, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.
Uma das principais descobertas da pesquisa foi que os brasileiros que não utilizam transporte público estariam dispostos a fazê-lo se determinadas melhorias fossem implementadas. Os entrevistados apontaram que a redução do preço da tarifa (25%) e a diminuição do tempo de espera (24%) seriam os dois principais motivos para aderir aos coletivos nas grandes cidades. Outros fatores que influenciariam essa decisão incluem o aumento da segurança (20%), a disponibilidade de linhas e percursos (18%), o conforto interno (14%), a qualidade dos veículos (13%) e a agilidade dentro do transporte público (13%).
No entanto, a pesquisa também expôs uma considerável insatisfação da população com relação à governança e gestão pública da política de mobilidade urbana. Cerca de 57% dos entrevistados consideraram pouco ou nada avançado o planejamento a longo prazo do poder público local em relação à mobilidade urbana, enquanto apenas 16% julgaram essa atuação como avançada ou muito avançada. Nesse contexto, o gerente-executivo de Infraestrutura da CNI, Wagner Cardoso, ressaltou a necessidade de priorizar a atualização da Política Nacional de Mobilidade Urbana para melhorar o transporte público e reduzir os problemas de trânsito.
No tocante à satisfação com os pontos de ônibus e o serviço dentro dos veículos, os brasileiros demonstraram baixa satisfação. A segurança nos pontos de ônibus recebeu a nota média mais baixa, 3,1 em uma escala de 0 a 10. A falta de segurança também foi a principal reclamação dentro dos ônibus, com nota 3,1. Outras áreas de insatisfação incluíram conforto, tempo de espera, informação sobre trajetos e horários, quantidade de paradas e distância percorrida.
Em contrapartida, a pesquisa mostrou que os usuários do metrô têm uma percepção mais positiva desse meio de transporte em comparação com o ônibus. A avaliação positiva abrangeu pontos como tempo de espera nas estações, informações sobre trajetos e horários, quantidade de estações, segurança e conforto. No entanto, a pesquisa também revelou insatisfações, principalmente em relação à quantidade de passageiros.
Surpreendentemente, menos de uma década após sua introdução no Brasil, os carros de aplicativo emergiram como o meio de transporte urbano mais bem avaliado, com 64% dos usuários considerando esses serviços como bons ou ótimos. Esse índice supera em mais que o dobro a avaliação positiva dos táxis, que ficou em 30%. O metrô ficou em segundo lugar, com 58% de avaliação positiva.
O estudo também apontou que o Brasil precisa investir R$ 295 bilhões até 2042 em infraestruturas de mobilidade urbana nas principais regiões metropolitanas do país. A pesquisa enfatizou que mais investimentos na malha de transporte tornariam o deslocamento nas cidades mais eficiente e ágil.
Essa pesquisa fornece pontos cruciais para o aprimoramento da mobilidade urbana no Brasil, ressaltando a necessidade de investimentos, melhorias na segurança e no conforto, bem como uma reavaliação das políticas de transporte público para atender às demandas e expectativas da população.
MAIS DADOS DA PESQUISA
>> 90% das pessoas moram na mesma cidade onde trabalham;
>> 88% trabalham de forma presencial, 6% em home office e 5% de maneira híbrida.
Meios de locomoção mais usados (amostra total)
62% - Ônibus
57% - A pé
56% - Carro (próprio, Uber, carona e taxi)
26% - Moto
24% - Bicicleta
20% - Metrô
11% - Trem
10% - Van
Utilizam os meios de locomoção todos os dias e quase todos os dias (entre quem usa cada um dos meios de locomoção)
78% - A pé
75% - Carro próprio ou carro de família
60% - Moto
54% - Bicicleta
50% - Ônibus
37% - Carona de carro
37% - Trem
30% - Fretados
29% - Van
28% - Carro de aplicativo
28% - Metrô
25% - Táxi
3% - Barco
Principais problemas do serviço de transporte público na cidade (duas opções elencadas por entrevistado)
22% - Lotação/muitas pessoas
21% - Atrasos/Pontualidade
14% - Preço de passagens
14% - Poucas linhas
12% - Desconforto
11% - Poucos veículos
11% - Qualidade dos veículos
8% - Segurança
7% - Acessibilidade
Qualidade do transporte público em nível local
4% - Ótima
19% - Boa
31% - Regular
16% - Ruim
29% - Péssima
Avaliação da prefeitura no planejamento da mobilidade urbana a longo prazo
3% - Muito avançada
13% - Avançada
24% - Mais ou menos avançada
35% - Pouco avançada
22% - Nada avançada
AVALIAÇÃO DOS SERVIÇOS DE TRANSPORTE
Carro de aplicativo
14% - Ótimo
50% - Bom
22% - Regular
2% - Ruim
3% - Péssimo
Táxi
4% - Ótimo
24% - Bom
25% - Regular
5% - Ruim
6% - Péssimo
Ônibus
4% - Ótimo
20% - Bom
37% - Regular
13% - Ruim
22% - Péssimo
Metrô
5% - Ótimo
16% - Bom
12% - Regular
2% - Ruim
4% - Péssimo
Trem
3% - Ótimo
9% - Bom
13% - Regular
4% - Ruim
9% - Péssimo
Arthur Ferrari, para o Diário do Transporte