26/08/2015 08:27 - Diário de Pernambuco
Ônibus que não cumprem horário, superlotação e coletivos que
queimam a parada. A rotina de quem depende do transporte público na Região
Metropolitana do Recife não é fácil. Para melhorar a vida dos usuários de
ônibus, um grupo de estudantes do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) criou
um projeto de estímulo à gentileza e à solidariedade dentro dos coletivos.
Pedro Izídio, Tatyane Macedo, Suzana Brito, Mary Fonseca e
Ruan Rodrigues acreditam que pequenos gestos de civilidade fazem a diferença na
rotina dos passageiros do transporte público. O projeto Busão Feliz, que existe
há três meses, é destaque na quarta reportagem da campanha Sou do bem no
trânsito, que o Diario publica até 25 de setembro, quando se encerram as ações
da Semana Nacional de Trânsito.
Não empurrar outros passageiros na fila do coletivo, segurar
a mochila de uma pessoa que está viajando em pé, ceder o lugar a idosos e
gestantes e não jogar lixo pela janela do ônibus. Esses e outros conselhos são
dados pelos estudantes aos usuários. As mensagens chegam aos passageiros por
meio de panfletos e adesivos entregues nas paradas e dentro dos veículos.
A ideia dos estudantes de design gráfico surgiu nos
corredores do IFPE após a constatação da falta de cordialidade entre os
usuários de ônibus. "Enfrentamos problemas como superlotação, veículos velhos e
com os buracos nas ruas, mas não podemos melhorar essas condições. Pensamos,
então, no que nós, usuários, podíamos fazer”, explica a estudante Tatyane
Macedo, 20 anos.
"O ato de pegar o ônibus te ensina que as pessoas perderam
um pouco a sensibilidade. Ser gentil provoca espanto. Quando você está inserido
nesse ambiente impessoal, querer a mudança chega a ser um ato revolucionário”,
completa Pedro Izídio, 19. As mensagens dos estudantes são bem recebidas pelos
passageiros. "É uma forma de mudar essa realidade”, disse a aposentada Sílvia
Rodrigues, 68 anos.
Gentileza faz
diferença no transporte público
COLUNA DE JAILSON DA PAZ
Gentileza, por favor
Ser gentil provoca espanto. Provoca mesmo, Tatyane Macedo.
Por mais que pessoas como você, voluntária do projeto Busão Feliz, diga ser
preciso estender a mão para pedir bolsas ou ceder a cadeira a idosos há quem
ainda tampe os ouvidos para a gentileza. Mas acredito, como você também deve
crer, que algum dia esses gestos de respeito de tão comuns vão deixar o espanto
de lado. Serão regra. Execeção estará nos fingidores que insistirão em se
manter de olhos cerrados para quem sobe aos ônibus com bolsas e livros ou para
os que se encostam, pelo pesar da idade, a colunas e a paredes dos coletivos.
Dos gestos humanos, a gentileza figura entre os principais derrubadores de
barreira entre pessoas. Difícil alguém de cara trancada não quebrar a rigidez
quando ouve um "bom dia” do motorista, do bilheteiro ou do cobrador. Ou quando
alguém repete "a bolsa, por favor”. Poucas palavras assim, por mais de uma vez,
mudaram o astral daqueles meus dias em que imaginava ser o centro e o dono de
todos os problemas do mundo. Em si, elas dificilmente vão acabar o desconforto
e o aperto do transporte coletivo, contudo podem ser portas para amizades,
troca de ideias e, tal qual o Busão Feliz, conduzir à mudança de atitudes. E a
cobranças por melhores serviços.