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19/05/2013 22:00

Francisco Galiza

Análise dos Acidentes de Bicicletas

 

Iniciado em 2010, o objetivo principal da seção "Comentários Econômicos” é realizar a análise de alguma publicação ou fato – nacional ou internacional – que tenha relação (direta ou indireta) com o mercado de seguros. 

Para conhecimento e para pensar...

A capacidade em analisar os riscos naturais existentes na sociedade - e, com isso, propor uma estratégia para diminuir os acidentes - é uma parte importante do segmento de seguros, denominada "Gerenciamento de Riscos”. 

Atualmente, no Brasil, um assunto que tem chamado a atenção das mídias das grandes cidades é o aumento dos acidentes de bicicletas. O crescimento do número de feridos e mesmo de vítimas fatais preocupa a todos, e mesmo aqueles que não utilizam esse meio de transporte e diversão naturalmente se solidarizam com a situação.

Nesse sentido, é oportuno fazer uma análise um pouco mais profunda do assunto e, para isso, uma boa consulta é sempre avaliar os dados do mercado norte-americano (Ver)

Assim, temos abaixo como referência:

• Em 2011, nos EUA, 677 ciclistas foram mortos e 48 mil ficaram feridos em acidentes de bicicletas no trânsito.

• As mortes de ciclistas representaram 2 por cento de todas as mortes no trânsito com veículos.

• A maioria das mortes com bicicletas ocorreu nas áreas urbanas (quase 70% do total).

• Atualmente, aproximadamente, há quase 60 milhões de ciclistas nos EUA, em uma população de um pouco mais de 300 milhões.

• Nos últimos anos, tem havido um aumento constante na média de idade dos ciclistas mortos (de 36 anos em 2002 para 43 anos em 2011)

Abaixo, informações sobre essas mortes naquele país em 2011, separadas por faixa etária. No total, tivemos 677 mortos; em média, 2,17 mortes/milhão de pessoas.

 

PEDALCYCLIST FATALITIES AND FATALITY RATES, 2011  
Age group  Fatalities  Population  (000)  Fatality rate per
million population
Under 5 5 20,162 0.25
5 to 9 26 20,334 1.28
10 to 15 35 24,862 1.41
16 to 20 50 22,083 2.26
21 to 24 53 17,558 3.02
25 to 34 71 41,790 1.70
35 to 44 78 40,628 1.92
45 to 54 157 44,718 3.51
55 to 64 108 38,062 2.84
65 to 74 58 22,482 2.58
75 to 84 23 13,175 1.75
Over 85   9 5,737 1.57
Total (2) 677 311,592 2.17

(1) Includes riders of bicycles and other non-motorized vehicles powered by pedals, such as tricycles and unicycles.
(2) Includes pedalcyclists of unknown age.

Source: U.S. Department of Transportation, National Highway Traffic Safety Administration; U.S. Department of Commerce, Census Bureau.

 

E no Brasil, o que podemos dizer?

Infelizmente, por aqui, não há estatísticas tão detalhadas (fica aqui a sugestão para algo nessa linha). De qualquer maneira, podemos tecer alguns comentários sobre o que vem ocorrendo na principal metrópole do país.

No endereço "Nossa São Paulo” (Ver) temos:

 • Em 2011, a média de mortes de ciclistas foi de 4,1 mortes/milhão de pessoas, contra uma taxa média de 2,1 mortes/milhão de pessoas nos EUA.

• Com esses dados, o município de São Paulo tem, em termos relativos, praticamente o dobro de mortes em acidentes de bicicletas do que nos EUA.

• De 2003 para 2011, a média de mortes no município de São Paulo passou de 2,1 mortes/milhão de pessoas para 4,1/milhão de pessoas. Ou seja, o dobro também.

• O mais sério, porém, é a dispersão dos dados. Os acidentes não são uniformes. Existem bairros em que a situação é muito mais grave do que em outros. Por exemplo, em Jabaquara, a taxa em 2011 foi de 13,4 mortes/milhão de pessoas.

Porém, essas informações são muito piores do que parecem, pois nos países mais desenvolvidos a quantidade relativa de pessoas que andam de bicicleta é muito maior (em alguns casos, mais de 20% da população total). Já, no Brasil, estimativas indicam que esse número é, em média, de menos de 10% de população total. Ou seja, se mais pessoas passarem a andar de bicicleta no país no futuro, tendência natural por diversos aspectos (trânsito, ecológicos, saúde, etc), esses indicadores desfavoráveis devem aumentar.

Em nossa opinião, essas referências numéricas são importantes para iniciar a discussão.

 

Francisco Galiza - Mestre em Economia (FGV); membro da ANSP (Academia Nacional de Seguros e Previdência); autor do livro "Economia e Seguro – Uma Introdução” (3ª edição); coordenador da Revisão do Dicionário da Funenseg, em 2011; professor do MBA-Seguro e Resseguro (FUNENSEG)

[Esta publicação foi retirada do site do autor, seção "Comentários Econômicos" - ver o origina]

 



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